Pink Floyd em janeiro de 1968, da única sessão de fotos com todos os cinco membros.
O Pink Floyd com certeza foi uma das mais enigmáticas, fantásticas e problemáticas bandas que o mundo já viu. A banda se formou em Cambridge pelo nome de Sigma 6. A banda era inicialmente formada por Roger Waters, Richard Wright, Nick Mason e Bob Klose, que mais tarde deixaria-a por pressão de seus pais e seus colegas de faculdade. Na segunda metade dos anos 60, Roger Keith Barrett, mais conhecido pelo nome de Syd Barrett, entraria na banda e se tornaria seu líder e principal compositor, liderando a banda com seu gênio criativo sem limites.
Tea Set em 1964. Da esquerda para a direitra: Richard Wright; Roger Waters;
Nick Mason; Bob Klose; Syd Barrett
Nick Mason; Bob Klose; Syd Barrett
A banda seria renomeada diversas vezes, como Tea Set, até chegar a The Pink Floyd Sound, mais tarde abreviado para Pink Floyd, vindo do nome de dois músicos de blues obscuros, Pink Anderson e Floyd Council.
Floyd Council e Pink Anderson, respectivamente.
Sob a nova liderança, a banda tocaria em diversas casas noturnas na cena underground inglesa, como a UFO. Lá a banda tocava três sessões de duas horas, e praticamente só exploravam seus instrumentos, sem nem olhar para a platéia. O show de luzes era uma parte essencial do show, todas elas refletiam o clima geral da música.
Em 1967, Pink Floyd começou a atrair a indústria mainstream, fazendo-os conseguir um contrato com a EMI. Em março de 1967, foi lançado o primeiro single da banda, Arnold Layne (com Candy And A Currant Bun no lado-B). Fez um relativo sucesso (chegou ao vigésimo lugar nas paradas britânicas) e foi banida de várias rádios por causa do conteúdo da música que tratava-se sobre um travesti.
Em junho de 1967, lança o segundo single da banda, See Emily Play. Se saiu bem melhor do que Arnold Layne, chegando ao sexto lugar nas paradas.
Após o sucesso, obviamente a banda deveria gravar um LP, The Piper At The Gates Of Dawn, lançado em agosto de 1967. O álbum tivera alguns problemas de gravação devido a forma de como Barrett estava agindo, na qual ele agia de forma errática e muitas vezes ignorando as críticas do produtor Norman Smith (antigo engenheiro de som dos Beatles). Mas o que se mostra nesse álbum é uma produção totalmente profissional, mostrando que a banda não era como qualquer outra. Músicas dando origem ao space rock (Astronomy Domine), longos instrumentais (Interstellar Overdrive), fantasias e contos de fada (Matilda Mother, The Gnome, Lucifer Sam). Considerado um dos melhores álbuns de rock psicodélico já feito. E mais, todas as músicas foram compostas por Syd Barrett (com exceção de Take Up Thy Stethoscope And Walk de Roger Waters e Interstellar Overdrive, creditada a todos os membros da banda).
Capa do álbum, desenvolvida por Hipgnosis que
faria todas as capas da banda.
Com o passar do tempo, o comportamento de Barrett foi piorando cada vez mais. Segundo Waters, em um dos shows Barrett entrou no palco com sua guitarra na mão. Foi até o microfone e ficou parado, olhando para o nada. Lançaram um single, Apples And Oranges, com Paintbox de Richard Wright no lado-B. O single não fez tanto sucesso quantos os anteriores.
Devido a estes problemas, David Gilmour, um velho amigo de Barrett, foi chamado para fazer parte da banda como quinto membro. A proposta era que como Syd era o principal compositor da banda, ele iria ficar apenas no estúdio enquanto os outros faziam as apresentações ao vivo. Mas isso provou não ser uma boa ideia, quando os outros esperavam que ele escrevesse mais hits pros singles. Ele não estava escrevendo boas músicas e quando escrevia, ele não as ensinava muito bem para os outros. Em março de 1968, se encontraram com seus empresários Peter Jenner e Andrew King para decidir o futuro da banda, sendo que Barrett decidiu sair.
Pink Floyd no início de 1968.
Após a saída de Barrett, estava na hora de fazer mais músicas. Mas o que iriam fazer sem o Barrett? Era uma tarefa difícil e arriscada. Então Wright, tentando simular o som de Syd, chegou com a música It Would Be So Nice, instantaneamente lançada em single com Julia Dream no lado-B. Mas... a canção falhou miseravelmente nas paradas. Waters e Mason, mais tarde, admitiriam o ódio por essa canção.
Agora, chegara a vez de Waters bolar algo. Com a ajuda de Gilmour, conseguiram outro single, Point Me At The Sky, com a esquisita Careful With That Axe, Eugene de Waters no lado-B. Outro single falhado. Seria o último single da banda até 1973.
Ao mesmo tempo estavam gravando seu novo LP, A Saucerful of Secrets. O álbum contém a última contribuição de Barrett, Jugband Blues. É interessante notar também, já que este é o único álbum em que a contribuição vocal de Wright supera a dos outros membros. Este havia composto duas músicas pro álbum: a subestimada Remember A Day e a esquecível See-Saw. Waters contribuiu com três músicas: Let There Be More Light, uma música mais ou menos, mas com um memorável riff de baixo; Set The Controls for The Hearts Of The Sun, tem influências bem africanas com batidas e percussões fortes; Corporal Clegg, uma das primeiras músicas da banda a falar sobre guerra, tema que se tornaria recorrente nas músicas de Waters. A faixa-título é uma música de 12 minutos, bem avant-garde, representando uma batalha. É interessante ouvir, mas é longa demais, podendo irritar algumas pessoas. O álbum em si é confuso. Diferente do The Piper, as músicas parecem não ter muita coesão, parecendo mais um amontoado de músicas mesmo.
A Saucerful of Secrets
Enquanto a banda estava tentando procurar um som, eles começaram a escrever trilha sonoras para filmes com Zabriskie Point e The Committee. Das trilhas sonoras, Pink Floyd lançou como álbum de estúdio Soundtrack from Film More, de 1969. O álbum, em sua maioria, são músicas instrumentais experimentais, enquanto as outras são músicas acústicas. Também tem as duas músicas mais pesadas da banda The Nile Song e Ibiza Bar. No mesmo ano de 1969 a banda gravou a música Moonhead para acompanhar a decida do homem na lua do canal de TV inglês BBC.
More
A banda havia alguns projetos ao vivo como The Man and the Journey, duas suítes contando uma história. O projeto não levou a nada já que boa parte das músicas eram as mesmas já havia gravado, mais algumas novas.
No mesmo ano a banda havia lançado Ummagumma. Um álbum duplo, com o primeiro disco sendo uma apresentação ao vivo e o segundo um álbum de estúdio. A apresentação ao vivo é ótima, com versões estendidas de Astronomy Domine, Careful With That Axe, Eugene, Set The Controls For The Heart Of The Sun e A Saucerful of Secrets, consideradas melhores que as versões de estúdio. Já o segundo disco, cada membro gravou uma música solo pro disco. A primeira é Sysyphus de Wright, parecendo mais uma trilha sonora. As outras duas são de Waters: Granchester Meadows, um folk bem calmo, estilo que ele seguiria em Atom Heart Mother. A outra é Several Species Of Small Furry Animals Gathering Together In A Cave And Grooving With A (ufa!) Pict, é literalmente o título que está na música, sendo que Waters está fazendo os sons dos animais, com diversos artifícios de estúdio. The Narrrow Way de Gilmour, com as duas primeiras partes abrindo com instrumentais experimentais e termina com uma inesquecível composição dele. The Grand Vizier's Garden Party, de Mason, é como seria se John Bonham fizesse um solo de bateria no Pink Floyd. O álbum foi bem recebido, chegando ao quinto lugar nas paradas. Mais tarde, os membros da banda afirmariam o seu desgosto pelo disco.
No mesmo ano a banda havia lançado Ummagumma. Um álbum duplo, com o primeiro disco sendo uma apresentação ao vivo e o segundo um álbum de estúdio. A apresentação ao vivo é ótima, com versões estendidas de Astronomy Domine, Careful With That Axe, Eugene, Set The Controls For The Heart Of The Sun e A Saucerful of Secrets, consideradas melhores que as versões de estúdio. Já o segundo disco, cada membro gravou uma música solo pro disco. A primeira é Sysyphus de Wright, parecendo mais uma trilha sonora. As outras duas são de Waters: Granchester Meadows, um folk bem calmo, estilo que ele seguiria em Atom Heart Mother. A outra é Several Species Of Small Furry Animals Gathering Together In A Cave And Grooving With A (ufa!) Pict, é literalmente o título que está na música, sendo que Waters está fazendo os sons dos animais, com diversos artifícios de estúdio. The Narrrow Way de Gilmour, com as duas primeiras partes abrindo com instrumentais experimentais e termina com uma inesquecível composição dele. The Grand Vizier's Garden Party, de Mason, é como seria se John Bonham fizesse um solo de bateria no Pink Floyd. O álbum foi bem recebido, chegando ao quinto lugar nas paradas. Mais tarde, os membros da banda afirmariam o seu desgosto pelo disco.
Mais uma maravilha do Hipgnosis.
Em 1970, Pink Floyd marcaria o ano com o épico Atom Heart Mother. A música homônima (creditada a todos os membros da banda, mais Ron Geesin) é um instrumental épico de 23 minutos, dividido em seis partes. Contém uso extensivo de uma banda de metais e de corais. Já o outro lado, contém uma música de cada membro: If, de Waters, com estilo folk semelhante a Granchester Meadows; Summer '68, de Wright e Fat Old Sun, de Gilmour. O álbum termina com outra épica de 13 minutos, Alan's Psychedelic Breakfast, literalmente isso. É o roadie da banda, Alan Styles, tomando café da manhã com músicas do Pink Floyd. É o primeiro álbum da banda a chegar ao primeiro lugar no Reino Unido. A banda falaria mais tarde o quanto detestavam o álbum e a música título, com Waters mencionando que "deve ser jogado no lixo e nunca mais ser ouvido novamente". A turnê foi cara pra banda, necessitando de uma banda de metais pra poder tocar a faixa-título e não tinham uma banda fixa, precisando da banda local da cidade para poder tocar.
Segundo a banda, eles não queriam nada que fosse psicodélico. E veio isso.
Meddle, de 1971, é considerado um álbum transicional pra banda. O álbum não tem tantos experimentos avant-garde, com músicas mais tradicionais. O álbum tem algumas baladas acústicas (A Pillow Of Winds, San Tropez), músicas pesadas (One Of These Days), épicas (Fearless) e vocais principais feitos por um cachorro (WTF?!) (Seamus). Mas a principal música é a do lado dois, que fecha o álbum, Echoes, de 23 minutos, ocupando o lado inteiro. Considerada uma das melhores músicas da banda, Echoes, tem uma das melhores letras e melodias já escritas por Waters (embora seja creditada a todos os membros da banda). Em geral, Meddle é um bom álbum, mostrando que a banda ainda tem muito o que melhorar.
Sabia que a capa é uma orelha?
Um ano depois foi lançado Obscured By Clouds, outra trilha sonora, dessa vez do filme francês La Vallée. O álbum em si não chama muita atenção, mas contém alguns momentos memoráveis com Free Four, Wot's... Uh The Deal? e The Gold It's In The... .
Obscured by Clouds
Nesse ano, Pink Floyd estreou uma série de músicas em suas apresentações com o título de Eclipse (A Piece for Assorted Lunatics). A ideia de Roger Waters era um álbum em que as pessoas possam lidar com coisas que as deixam loucas, focando nas pressões que a banda estava sofrendo e com o aparente problema mental de Syd Barrett. Com a banda concordando com a ideia, os quatro foram escrevendo material, do qual saiu um álbum lançado em março de 1973, The Dark Side of the Moon. Considerado um marco da banda e até mesmo da história da música, o álbum vendeu apenas 22 milhões de cópias, sendo um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, atrás apenas de Thriller de Michael Jackson. O álbum é genial, com músicas muito bem feitas e bem elaboradas. Time com um solo e uma letra incrível; Money, com um riff de baixo extremamente reconhecido e uma das músicas mais conhecidas da trupe; The Great Gig In The Sky, mostrando que a banda sempre queria algo diferente, usando Clare Torry nos vocais principais com uma incrível performance. O álbum foi produzido por Alan Parsons, que após seu sucesso com álbum, formou sua banda de rock progressivo, The Alan Parsons Project.
Acho que já vi isso em algum lugar...
O sucesso do álbum deixou a banda totalmente sem ideias. Esse período sem criatividade durou bastante tempo, até que Waters começou a desenvolver uma nova ideia: Syd Barrett, uma homenagem a seu antigo parceiro escreveram uma canção. Apresentaram ao vivo com o título de Shine On durante a turnê de The Dark Side of The Moon. Também haviam composto e apresentado duas outras músicas, Raving and Drooling e You've Gotta Be Crazy, fazendo críticas e sátiras políticas e sociais. Ao gravar o novo álbum, viram que não iam se encaixar no conceito que estavam preparando, retirando elas para serem usadas mais tarde.
No dia 5 de junho de 1975, Gilmour havia se casado com Ginger Hesenbein. No mesmo dia, a banda foi para o estúdio mixar suas músicas. Enquanto estavam completando a mixagem final de Shine On, um estranho homem gordo e careca carregando uma sacola de plástico havia entrado no estúdio. Waters não reconheceu o homem que estava lá. Gilmour achava que era algum empregado da EMI e Wright também estava estranhando o homem, presumindo ser um amigo de Waters. Ao lhe perguntar, ele havia percebido que era um antigo parceiro dele: Syd Barrrett. Gilmour, ao contar para Mason, ele ficara horrorizado. Waters afirmou que quase chorou ao ver seu amigo daquele jeito. Ao perguntar pra ele como havia ficado assim, ele apenas respondera que "tem uma geladeira enorme em casa e aí como muita carne de porco". Dando uma olhada na nova música da banda, ele havia falado que estava preparado para voltar pra banda, até mesmo perguntando se podia colocar mais algumas guitarras, respondendo que já haviam colocado as guitarras. Ele havia aparecido na recepção do casamento de Gilmour na cantina de Abbey Road, mas saiu sem avisar. Foi a última vez em que os membros da banda viram Barrett até sua morte em 2006.
Em setembro de 1975, Wish You Were Here chega as lojas. O álbum explora temas de ausência, a indústria musical e Syd Barrett. O tributo a Barrett, Shie On You Crazy Diamond, foi dividido em duas partes, uma no início e outra no final. A faixa-título é uma continuação do tributo, analisando de forma mais amigável e simples. As outras duas músicas: Welcome to the Machine, uma crítica a indústria musical, criticando por ser uma indústria guiada apenas pelo dinheiro. Contém uso extensivos de sintetizadores e de violões; Have a Cigar, continuação do tema anterior. Cantanda por Roy Harper, já que ambos Waters e Gilmour estavam insatisfeitos com suas respectivas versões. Critica a hipocrisia e a ganância das corporações musicais. O álbum é muito bem bolado, com músicas muito bem trabalhadas, onde cada um dos membros mostra seu talento, que há de sobra. Segundo Wright e Gilmour, é o álbum favorito deles.
Ronnie Rondell e Danny Rogers. No dia da fotografia, os ventos
estavam na direção errada, queimando o bigode de Rondell.
Após o lançamento do álbum, a banda comprou um prédio na Britannia Row e transformaram em um estúdio. Em 1976 começaram a gravar o seu novo álbum, usando as músicas que haviam deixado de foram de Wish You Were Here. Baseadas no conceito proposto por Waters após ter lido "A Revolução dos Bichos" de George Orwell. Desse conceito saiu Animals. As músicas comparam as pessoas do cenário político da época com animais: os cachorros (Dogs) = empresários; porcos (Pigs (Three Different Ones)) = políticos; ovelhas (Sheep) = o povo. As outras duas (ou uma) é Pigs on the Wing, que abre e fecha o álbum. Diferente das outras músicas, é uma balada acústica que Roger escreveu pra mulher que viria a ser sua esposa, Carolyne. O som é bem diferente dos álbuns anteriores, que contém um som mais pesado e baseado nas guitarras, em resposta ao movimento punk que estava em ascensão.
Apesar de ser creditado ao Hipgnosis, a ideia final foi de Waters onde
sobrepuseram a imagem de um porco sobre a usina termoelétrica de Battersea.
O álbum seria motivo de diversas brigas entre os membros da banda, principalmente por causa dos royalties. Waters dividiu Pigs on the Wing com o objetivo de ganhar mais royalties sobre a música, mesmo tendo sido escrita e gravada como uma só, enfurecendo os outros membros. Gilmour ficou irritado pelo fato de Waters ter recebido igualmente os royalties e créditos de Dogs, mesmo tendo sido responsável por uma grande parte da música. Isso só estava começando.
Em 1978, depois do desastroso incidente em que Waters cupiu em um fã, o primeiro escreveu uma opera-rock que chamou de Bricks in the Wall. A história é a seguinte: Pink é um roqueiro que sofre de diversos problemas, desde a tenra infância até a seus dias atuais, criando uma parede imaginária na qual este se isola da sociedade.
Durante a gravação, os membros ficaram insatisfeitos com a falta de contribuição de Wright. Wright que inicialmente estava produzindo junto com Gilmour, Waters, Bob Ezrin e James Guthire, mas estava deixando todos loucos com suas decisões no estúdio, atrapalhando os outros durante as gravações. Waters então decidiu que Wright deveria sair da banda. Gilmour, apesar de também achar que Wright não estava fazendo nada, não queria que Wright saísse da banda, mas Waters ameaçou não lançar o álbum se Wright não saísse, fazendo-o ir embora. Apesar disso, ele continuou como músico assalariado, terminando suas partes e indo com a banda na turnê.
Outros problemas como o "ditatorial" Waters estava encurtando os pavios dos outros. A participação dos royalties de Ezrin era menor do que dos outros produtores, com Waters o zombando de diversas formas. Dificlmente estava todos os membros juntos durante as gravações.
Finalmente, depois de todos esses problemas, foi lançado The Wall em novembro de 1979. Anteriormente, a banda havia lançado Another Brick in the Wall, Part 2 como single, conseguindo pela primeira e única vez, um single no primeiro lugar nas paradas. O álbum é duplo, com bastante músicas. O álbum é bem feito e muito bem idealizado, embora mostre que apenas Waters controlando a banda não ia dar muito certo. A turnê do álbum foi curta e cara em razão de que era gasto muito dinheiro por causa que era necessário usar uma "parede" e diversos efeitos de luz para ilustrar a história de Pink.
Bem auto-descritiva a capa, né? Afinal. é a primeira
capa da banda que não foi desenvolvida pelo Hipgnosis.
Logo após o lançamento, a banda recebeu a oferta de gravar seu show durante a turnê. O filme, que acabou tendo vários problemas, ele evoluiu para um filme da opera-rock, baseado nela. Com o título de Pink Floyd — The Wall, lançado em 1982, é considerado um clássico cult. A história do filme é toda contada através das músicas da opera, que foram remixadas especialmente para o filme. Há uma música nova: When the Tigers Broke Free.
Waters teve a ideia de lançar um álbum novo com a trilha sonora do filme, entitulando de Spare Bricks, mas após este se informar sobre os eventos da Guerra das Malvinas, houve uma mudança de direção artística, tendo a ideia de gravar um álbum propriamente dito. Waters achava a resposta de Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido, ufanista e desnecessária. dedicando o álbum ao seu pai. A relação entre Waters e Gilmour se deteriorou rapidamente pois Gilmour queria escrever material novo ao invés de reciclar músicas não usadas no The Wall, contribuindo muito pouco pro álbum.
O resultado foi The Final Cut, com Waters escrevendo todas as músicas. O álbum foi bem sucedido, mas é controverso entre os fãs já que muitos o consideram um álbum repetitivo e muito "depressivo", com alguns chegando a dizer que é praticamente um álbum solo de Waters, com Pink Floyd como banda de estúdio. O álbum contém alguns momentos memoráveis, mas mostra que deixar o controle criativo exclusivamente para um membro só não ia dar certo.
As faixas representam as medalhas dadas por bravura, e serviço
prestado na África durante a Segunda Guerra.
The Final Cut, álbum solo de Waters com Pink Floyd na capa. O álbum, como está escrito na contra-capa, é um memorando do pós guerra, escrito por Roger Waters e interpretado por Pink Floyd. Quase nem foi escrito todo por Roger. Das 13 faixas (se levarmos em consideração When The Tigers Broke Free que foi inserida previamente na remasterização de 2004), Waters escreveu as 13 e canta em 12. Gilmour fica com o papel de vocalista da raivosa Not Now John, que conta com backing-vocals super simpáticos cantando "Fuck all that", e sons de britadeiras também.
Um pouco mais a frente na estrada, em 1985, Roger Waters deixa a banda e espera que assim, a banda termine. Mas ao contrário do que pensava, David Gilmour e Nick Mason continuaram a usar o nome Pink Floyd, mesmo sem Waters. Isso levou nosso amigo de temperamento curto a processar os outros dois na justiça, pelo nome Pink Floyd. Depois de uma briga feia nos tribunais, Waters perdeu o processo, mas levou como prêmio de consolação o álbum The Wall, escrito quase inteiramente por ele. Se Waters não tivesse ganhado o The Wall, não faria mais shows atualmente, diga-se de passagem.
Com Waters fora, a banda (por banda leia-se David Gilmour e Nick Mason) se viu sem direção, pois Waters escrevia quase todas as letras. A banda necessitou de ajuda para compor o próximo álbum, que é o que tem mais músicos de fora de toda a carreira da banda.
A Momentary Lapse Of Reason, lançado em 1987, é concorrente a álbum mais fraco do Pink Floyd, concorrendo com The Final Cut. Por um lado, The Final Cut tem letras melhores, e do outro lado, A Momentary Lapse Of Reason tem música. Depois de seu lançamento, a banda partiria em turnê, que acabou virando um álbum ao vivo.
Delicate Sound of Thunder, gravado durante os shows da banda durante a turnê de A Momentary Lapse Of Reason, virando álbum duplo. Na capa, a alusão entre a luz e o som, duas coisas muito presentes durante os shows do Pink Floyd. Uma curiosidade interessante é que Delicate Sound of Thunder foi o primeiro álbum a ser tocado no espaço.
Mais tarde, a banda incluiria Richard Wright novamente na banda, e começariam a trabalhar num novo disco. Grande parte composto por David Gilmour e Poly Samson a bordo do barco-estúdio de Gilmour no rio tâmisa. O projeto acabaria sendo chamado de The Division Bell.
The Division Bell, lançado em meados de 1994, alcançou grande sucesso em várias partes do mundo. Apesar de tanto quanto The Division Bell quanto A Momentary Lapse of Reason serem muito julgados por não ter Waters na banda, são dois grandes álbuns. The Division Bell, inclusive, é meu segundo álbum favorito dos anos 90. Talvez diga o primeiro em alguma postagem.
Depois de lançarem o disco, o Pink Floyd saiu em turnê novamente e, novamente, saiu um álbum ao vivo gravado durante essa turnê. P.U.L.S.E.
P.U.L.S.E foi lançado como álbum duplo ao vivo em 1995, e vendeu muito bem. Diferentemente de seu sucessor ao vivo, P.U.L.S.E é muitas vezes cogitado como favorito de muitos fãs, e talvez até seja o melhor álbum ao vivo já gravado. Além de conter músicas do The Division Bell, P.U.L.S.E ainda inclui uma performance de The Dark Side Of The Moon, na íntegra! E assim como seu sucessor ao-vivo, inclui as músicas manjadas, meio over-rated que sempre fizeram parte do repertório do Pink Floyd 3.0, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, Another Brick in the Wall (Part 2), Hey You, Comfortably Numb, Wish You Were Here, e assim como o Delicate, termina com Run Like Hell.
Depois de muitos anos, sem tocar ao vivo desde 1981, a formação mais famosa do Pink Floyd se reúne no evento beneficente de Bob Geldof, Live 8. Geldof teria ligado para David Gilmour, perguntando se queria se reunir com a formação antiga da banda, a fim de tocar no Live 8. David Gilmour logo de cara disse 'não!'. Roger Waters acabou sabendo da reação de Gilmour, e o ligou, o pedindo para tocarem no evento, pois a causa do evento era mais importante que a briga entre os dois. David Gilmour pensou durante um dia inteiro e cedeu. Então, naquela noite de 2 de Julho de 2005, se reuniram no palco David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright, que não tocavam juntos a mais de 30 anos. Num show histórico, a banda mostrou que conseguiu deixar de lado toda a raiva e amargura do passado, a fim de tocarem em um evento que era maior do que isso.
Antes de tocarem Wish You Were Here, a banda dedicou a música para o homem que tinha tornado tudo aquilo possível, Syd Barrett. Se não fosse por Barrett, a banda não teria chegado onde chegou, nem alcançado o que alcançou. Barrett ainda estava vivo. Viria a falecer no ano seguinte, 2006. Mas mesmo assim, a banda fez uma última homenagem ao velho amigo, cuja a perda de razão e deterioração mental seguiria a banda até o seu fim.
Então, quase exatamente um ano depois, morreria o homem que fez tudo isso possível. De um câncer no pâncreas e complicações de diabetes, morrera Roger Keith Barrett, em sua residência, em Cambridge. Barrett nunca voltou a música, mas também nunca abandonou a arte. Segundo sua irmã, Barrett fotografava uma flor, fazia um quadro da foto, tirava uma foto do quadro e depois o destruía. Partiu desse mundo para ficar na memória da banda, e de todos os fãs ao redor do mundo, o eterno diamante louco Syd Barrett.
Ainda mais tarde, dois anos depois, faleceria outro importante personagem dessa jornada, em 15 de Setembro de 2008, em Londres, aos 65 anos, Richard William Wright, que sofria de câncer. Assim como seu amigo Syd Barrett, partiu desse mundo para a memória da banda e dos fãs. E assim como Barrett, sua memória viverá para sempre nas ótimas músicas que nos deixou, assim como Barrett, tanto em discos do Pink Floyd, quanto em carreira solo.
O que nos traz ao final dessa incrível jornada, de uma das bandas mais memoráveis da história. Como foi informado por Poly Samson em meados de 2013, o Pink Floyd estaria trabalhando num novo álbum, com as sobras do The Division Bell. Novo álbum que inclusive contém músicas feitas por Richard Wright ainda em vida. Lançado no ano passado, no caso 2014, não sei quando você está lendo isso, o álbum póstumo e fim da linha, The Endless River.
Com 18 músicas, dessas 17 são instrumentais ambiente. Apenas a última música, Louder Than Words, tem uma letra, escrita por Poly Samson, e datada de meados de 1993. The Endless River, apesar de não ter agradado a todos os fãs, ainda sim é uma ótima despedida. David Gilmour já afirmou que a banda acabou, e não vai voltar a gravar, e Nick Mason, como sempre está com dificuldade de aceitar o fim.
Então é isso. Espero que tenham gostado dessa postagem e das outras disponíveis aqui no blog. Esse é, oficialmente, a postagem que mais demorou a ser feita. Seria errado de minha parte levar todo o crédito por essa postagem, já que escrevi apenas até See Emily Play, depois meu parceiro aqui do blog Yusef continuou a escrever, até abandonar o barco pra me deixar escrever a partir do The Final Cut. Grande parte dessa postagem ele que escreveu, então, a postagem é dele.
The End
























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