terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Night At The Opera

A Night At The Opera, é um álbum/obra-prima lançado em 1975, da banda britânica de Rock/Metal/Ópera/Glam, Queen. O álbum é o que fez o maior sucesso comercial e entre os fãs da banda de toda a discografia do Queen, e com certeza um dos meus favoritos, não apenas do Queen, mas de todos os álbuns que já ouvi. Freddie Mercury em uma entrevista para a revista Rolling Stone em 1976 disse: Gravar A Night at the Opera foi uma experiência incrivelmente gratificante (...) pela primeira vez pudemos usar toda a nossa criatividade, e deixar a nossa loucura fluir. Tudo o que não pode ser feito em Queen II fizemos com ele (...) foi um desafio é claro, porque somos um quarteto de perfeccionistas, mas tivemos a chance de nos testar ao limite pra ver se éramos tão competentes quanto pensávamos, e no fim, tudo valeu a pena (...) esses dias no estúdio fizeram eu me lembrar o porque de eu ter escolhido essa profissão.
Segue abaixo algumas curiosidades e meu review de cada música.

Death On Two Legs (Dedicated To...)
Com um título assim, morte em duas pernas (dedicado a...) em uma tradução livre, o que se espera? Uma música romântica e melosa, certo? Não! Death On Two Legs (Dedicated To...) é a "homenagem" de Mercury ao antigo empresário da banda, Norman Sheffield, é com certeza a música mais cheia de ódio já gravada pelo Queen, com linhas como "Do you feel good, are you satiesfied, do you feel like suicide? (I think you should)". Norman chegou a processar a gravadora por difamação, mas por a música não ter nenhuma referência direta a sua pessoa, o processo não foi levado adiante. Brian May admitiu que se sentiu mal a cantar algumas das linhas no backing vocal.
A música é legal, a introdução é meio assustadora, mas o piano em arpeggio é ótimo, de fato a música inteira tem ótimas linhas de piano e guitarra. Uma forte concorrente a minha lista de melhores do Queen.

Lazing On a Sunday Afternoon
Não há muito que eu possa dizer sobre essa música. Linhas de piano legais, vocais que chegam a ser engraçados e um estilo que lembra muito músicas dos anos 50.

I'm In Love With My Car
Composta e cantada por Roger Taylor, a música chega a ser uma piada com um homem que trabalhava no estúdio, e dizia que seu carro era o amor de sua vida. A letra em si tem um tom humorístico, como por exemplo essa linha que eu adoro: "Told my girl that I had to forget her, 'cause I rather by a new carburator". Como de costume nas músicas cantadas por Roger, a bateria é muito presente e ativa, mas Brian também tem destaque aqui, nos mostrando seu potencial na sua Red Special.

You're My Best Friend
Música composta por John Deacon sobre sua esposa, com quem está casado até hoje, é com certeza uma ótima música, com ótima letra e um ritmo contagiante, não tem como não gostar dessa música. John tocou o piano elétrico, como se pode ouvir na clássica introdução, pois Freddie se recusara a toca-lo. Freddie odiava piano elétrico. Com um tímido solo de guitarra e uma belíssima melodia, essa entra não só para as melhores do álbum, mas para as melhores do Queen.

'39
Já falei sobre essa música aqui no blog, ainda na minha última postagem, sobre músicas que mereciam mais reconhecimento, e pode ter certeza que esse é o caso de '39. Composta e cantada por Brian May, que além de exímio guitarrista, é ainda um ótimo cantor. A letra fala sobre um grupo de astronautas voluntários que deixam a terra no ano de 39, não especificado século, e vão a um planeta distante a fins de pesquisa, e quando voltam, descobrem que haviam se passado cem anos na terra, e todos que conheciam já haviam morrido. Isso pode ser explicado pela teoria da relatividade geral de Einstein. (P.S. Brian May é Ph. D. em astronomia).
A música é ótima, com uma levada bem folk, e um refrão marcante, difícil de tocar no violão (pelo menos pra mim), e além de sua letra incrivelmente subestimada, '39 merecia ser mais conhecida entre os fãs.

Sweet Lady
Composição de Brian, música bem marcante, uma amostra das raízes pesadas do grupo, com uma levada hard rock e guitarra distorcida. Não há muito mais a dizer sobre ela, música boa em um álbum fantástico.

Seaside Rendezvous
Essa música, que segue a mesma levada anos 50 de Lazing On a Sunday Afternoon, com linhas em francês e instrumentos inusitados, é mais uma composição extravagante de Freddie. Não é uma música tão boa, mas também não é ruim. É um momento de descontração neste álbum fantástico, porque o melhor ainda está por vir.

The Prophet's Song
Essa é uma música difícil de definir em palavras. Com 8:19 de duração, a música mais longa do álbum, e se desconsiderarmos a Track 13 do Made In Heaven, é a música mais longa do Queen. Brian May  a compôs enquanto estava doente, teve a ideia num sonho onde uma enchente devastava a Inglaterra. Já ouvi dizer que se Bohemian Rhapsody não tivesse sido lançada, essa música teria o mesmo efeito na carreira do Queen, odeio discordar, mas é mentira. As duas músicas são extremamente diferentes. Enquanto Bohemian Rhapsody é uma mistura de A Cappella com Piano, Ópera e Hard Rock, The Prophet's Song é um protótipo do futuro Power Metal/Metal Melódico. Começando como uma música normal, e passando por uma sessão enorme de "now I know, now I know....", The Prophet's Song é uma música completamente underrated que me esqueci de incluir na minha última postagem. Na minha opinião, '39 e The Prophet's Song são os pontos altos de criatividade de Brian nesse disco.

Love Of My Life
Música muito bonita, fez um sucesso estrondoso aqui no Brasil e na América Latina em geral, mas não fez metade do sucesso lá fora. Comprove isso vendo a versão ao vivo do Rock In Rio de 1985, onde a plateia canta quase toda a música. Freddie Mercury a compôs em homenagem a Mary Austin, sua namorada (sim, Freddie Mercury já teve namoradas), por todo o apoio que ela lhe deu, mesmo a música parecendo mais um pedido de socorro. Com uma belíssima combinação de piano/harpa/violão, essa música é um ponto alto do disco, e uma belíssima música para quando você, meu caro leitor, levar um chute na bunda, e ouvi-la para ficar com dor de cotovelo e chorar.

Good Company
Composta e cantada por Brian May, essa música fala sobre um homem, que conta a seu filho sobre o tempo que ficava com seus amigos, mas depois os largou para se casar e se focou completamente no trabalho e acabou sozinho. Parece que ele deveria ter ouvido o conselho de seu pai, "Cuide dos que você chama de seu e mantenha boa companhia".
Essa canção tem uma levada havaiana, guiada por um ukelele, e com uma guitarra aparecendo em quando, é, assim como a maioria desse álbum, uma ótima canção.

  
Bohemian Rhapsody
Enfim chegamos na parte que vocês queriam ver, não é? Bohemian Rhapsody! Não apenas a melhor música do A Night At The Opera, mas a melhor do Queen, e o pior é que não há como discordar. 5 minutos, 4 gêneros musicas e uma das letras mais enigmáticas da história da música, essa música conseguiu ser o single mais caro já produzido até então. Não há muito que eu possa dizer, você conhece essa música, seu pai conhece, sua mãe conhece, seus tios conhecem, todo mundo em sã consciência já ouviu, mesmo que não saiba o nome dela.
Começando com uma seção A Capella, depois aquela famosa seção de piano/voz (mamaaaa ooooh...), vindo logo em seguida aquela seção extravagante de ópera, que você conhece sim. (Oh mamma mia, mamma mia!). Vindo depois uma explosiva seção hard rock, para assustar todo mundo. E por último volta ao piano/voz, com aquele clássico final, "nothing really matters, anyone can see, nothing really matters to me...".
E o álbum acaba depois dessa música? Não!

God Save The Queen
Não, não é a dos Sex Pistols! É o hino da Ingleterra! Claro, coisa mais normal do mundo é terminar um álbum desses com o hino da Ingleterra, lógico. A música foi incluída no final, pois tanto Freddia quanto Brian sempre tiveram muito respeito pela família real britânica. A música é uma orquestra de guitarras tocando o hino Inglês, se assemelhando muito a instrumentos de sopro.

Recepção e legado
O álbum entrou para a história como um dos melhores, mais caros, e que melhor venderam. Junto com Led Zeppelin IV, e The Dark Side Of The Moon, foi um dos pontos altos da música da década de 70. Se você, por algum motivo, ainda não ouviu, vá ouvir agora, você não sabe o que está perdendo.


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