Um ano depois foi lançado
Obscured By Clouds, outra trilha sonora, dessa vez do filme francês
La Vallée. O álbum em si não chama muita atenção, mas contém alguns momentos memoráveis com
Free Four, Wot's... Uh The Deal? e
The Gold It's In The... .
Obscured by Clouds
Nesse ano, Pink Floyd estreou uma série de músicas em suas apresentações com o título de
Eclipse (A Piece for Assorted Lunatics). A ideia de Roger Waters era um álbum em que as pessoas possam lidar com coisas que as deixam loucas, focando nas pressões que a banda estava sofrendo e com o aparente problema mental de Syd Barrett. Com a banda concordando com a ideia, os quatro foram escrevendo material, do qual saiu um álbum lançado em março de 1973,
The Dark Side of the Moon. Considerado um marco da banda e até mesmo da história da música, o álbum vendeu apenas 22 milhões de cópias, sendo um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, atrás apenas de
Thriller de Michael Jackson. O álbum é genial, com músicas muito bem feitas e bem elaboradas.
Time com um solo e uma letra incrível;
Money, com um riff de baixo extremamente reconhecido e uma das músicas mais conhecidas da trupe;
The Great Gig In The Sky, mostrando que a banda sempre queria algo diferente, usando Clare Torry nos vocais principais com uma incrível performance. O álbum foi produzido por Alan Parsons, que após seu sucesso com álbum, formou sua banda de rock progressivo, The Alan Parsons Project.
Acho que já vi isso em algum lugar...
O sucesso do álbum deixou a banda totalmente sem ideias. Esse período sem criatividade durou bastante tempo, até que Waters começou a desenvolver uma nova ideia: Syd Barrett, uma homenagem a seu antigo parceiro escreveram uma canção. Apresentaram ao vivo com o título de
Shine On durante a turnê de
The Dark Side of The Moon. Também haviam composto e apresentado duas outras músicas,
Raving and Drooling e
You've Gotta Be Crazy, fazendo críticas e sátiras políticas e sociais. Ao gravar o novo álbum, viram que não iam se encaixar no conceito que estavam preparando, retirando elas para serem usadas mais tarde.
No dia 5 de junho de 1975, Gilmour havia se casado com Ginger Hesenbein. No mesmo dia, a banda foi para o estúdio mixar suas músicas. Enquanto estavam completando a mixagem final de
Shine On, um estranho homem gordo e careca carregando uma sacola de plástico havia entrado no estúdio. Waters não reconheceu o homem que estava lá. Gilmour achava que era algum empregado da EMI e Wright também estava estranhando o homem, presumindo ser um amigo de Waters. Ao lhe perguntar, ele havia percebido que era um antigo parceiro dele: Syd Barrrett. Gilmour, ao contar para Mason, ele ficara horrorizado. Waters afirmou que quase chorou ao ver seu amigo daquele jeito. Ao perguntar pra ele como havia ficado assim, ele apenas respondera que "tem uma geladeira enorme em casa e aí como muita carne de porco". Dando uma olhada na nova música da banda, ele havia falado que estava preparado para voltar pra banda, até mesmo perguntando se podia colocar mais algumas guitarras, respondendo que já haviam colocado as guitarras. Ele havia aparecido na recepção do casamento de Gilmour na cantina de Abbey Road, mas saiu sem avisar. Foi a última vez em que os membros da banda viram Barrett até sua morte em 2006.
Em setembro de 1975,
Wish You Were Here chega as lojas. O álbum explora temas de ausência, a indústria musical e Syd Barrett. O tributo a Barrett,
Shie On You Crazy Diamond, foi dividido em duas partes, uma no início e outra no final. A faixa-título é uma continuação do tributo, analisando de forma mais amigável e simples. As outras duas músicas:
Welcome to the Machine, uma crítica a indústria musical, criticando por ser uma indústria guiada apenas pelo dinheiro. Contém uso extensivos de sintetizadores e de violões;
Have a Cigar, continuação do tema anterior. Cantanda por Roy Harper, já que ambos Waters e Gilmour estavam insatisfeitos com suas respectivas versões. Critica a hipocrisia e a ganância das corporações musicais. O álbum é muito bem bolado, com músicas muito bem trabalhadas, onde cada um dos membros mostra seu talento, que há de sobra. Segundo Wright e Gilmour, é o álbum favorito deles.
Ronnie Rondell e Danny Rogers. No dia da fotografia, os ventos
estavam na direção errada, queimando o bigode de Rondell.
Após o lançamento do álbum, a banda comprou um prédio na Britannia Row e transformaram em um estúdio. Em 1976 começaram a gravar o seu novo álbum, usando as músicas que haviam deixado de foram de
Wish You Were Here. Baseadas no conceito proposto por Waters após ter lido "A Revolução dos Bichos" de George Orwell. Desse conceito saiu
Animals. As músicas comparam as pessoas do cenário político da época com animais: os cachorros (
Dogs) = empresários; porcos (
Pigs (Three Different Ones)) = políticos; ovelhas
(Sheep) = o povo. As outras duas (ou uma) é
Pigs on the Wing, que abre e fecha o álbum. Diferente das outras músicas, é uma balada acústica que Roger escreveu pra mulher que viria a ser sua esposa, Carolyne. O som é bem diferente dos álbuns anteriores, que contém um som mais pesado e baseado nas guitarras, em resposta ao movimento
punk que estava em ascensão.
Apesar de ser creditado ao Hipgnosis, a ideia final foi de Waters onde
sobrepuseram a imagem de um porco sobre a usina termoelétrica de Battersea.
O álbum seria motivo de diversas brigas entre os membros da banda, principalmente por causa dos royalties. Waters dividiu Pigs on the Wing com o objetivo de ganhar mais royalties sobre a música, mesmo tendo sido escrita e gravada como uma só, enfurecendo os outros membros. Gilmour ficou irritado pelo fato de Waters ter recebido igualmente os royalties e créditos de Dogs, mesmo tendo sido responsável por uma grande parte da música. Isso só estava começando.
Em 1978, depois do desastroso incidente em que Waters cupiu em um fã, o primeiro escreveu uma opera-rock que chamou de Bricks in the Wall. A história é a seguinte: Pink é um roqueiro que sofre de diversos problemas, desde a tenra infância até a seus dias atuais, criando uma parede imaginária na qual este se isola da sociedade.
Durante a gravação, os membros ficaram insatisfeitos com a falta de contribuição de Wright. Wright que inicialmente estava produzindo junto com Gilmour, Waters, Bob Ezrin e James Guthire, mas estava deixando todos loucos com suas decisões no estúdio, atrapalhando os outros durante as gravações. Waters então decidiu que Wright deveria sair da banda. Gilmour, apesar de também achar que Wright não estava fazendo nada, não queria que Wright saísse da banda, mas Waters ameaçou não lançar o álbum se Wright não saísse, fazendo-o ir embora. Apesar disso, ele continuou como músico assalariado, terminando suas partes e indo com a banda na turnê.
Outros problemas como o "ditatorial" Waters estava encurtando os pavios dos outros. A participação dos royalties de Ezrin era menor do que dos outros produtores, com Waters o zombando de diversas formas. Dificlmente estava todos os membros juntos durante as gravações.
Finalmente, depois de todos esses problemas, foi lançado The Wall em novembro de 1979. Anteriormente, a banda havia lançado Another Brick in the Wall, Part 2 como single, conseguindo pela primeira e única vez, um single no primeiro lugar nas paradas. O álbum é duplo, com bastante músicas. O álbum é bem feito e muito bem idealizado, embora mostre que apenas Waters controlando a banda não ia dar muito certo. A turnê do álbum foi curta e cara em razão de que era gasto muito dinheiro por causa que era necessário usar uma "parede" e diversos efeitos de luz para ilustrar a história de Pink.
Bem auto-descritiva a capa, né? Afinal. é a primeira
capa da banda que não foi desenvolvida pelo Hipgnosis.
Logo após o lançamento, a banda recebeu a oferta de gravar seu show durante a turnê. O filme, que acabou tendo vários problemas, ele evoluiu para um filme da opera-rock, baseado nela. Com o título de Pink Floyd — The Wall, lançado em 1982, é considerado um clássico cult. A história do filme é toda contada através das músicas da opera, que foram remixadas especialmente para o filme. Há uma música nova: When the Tigers Broke Free.
Waters teve a ideia de lançar um álbum novo com a trilha sonora do filme, entitulando de Spare Bricks, mas após este se informar sobre os eventos da Guerra das Malvinas, houve uma mudança de direção artística, tendo a ideia de gravar um álbum propriamente dito. Waters achava a resposta de Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido, ufanista e desnecessária. dedicando o álbum ao seu pai. A relação entre Waters e Gilmour se deteriorou rapidamente pois Gilmour queria escrever material novo ao invés de reciclar músicas não usadas no The Wall, contribuindo muito pouco pro álbum.
O resultado foi The Final Cut, com Waters escrevendo todas as músicas. O álbum foi bem sucedido, mas é controverso entre os fãs já que muitos o consideram um álbum repetitivo e muito "depressivo", com alguns chegando a dizer que é praticamente um álbum solo de Waters, com Pink Floyd como banda de estúdio. O álbum contém alguns momentos memoráveis, mas mostra que deixar o controle criativo exclusivamente para um membro só não ia dar certo.
As faixas representam as medalhas dadas por bravura, e serviço
prestado na África durante a Segunda Guerra.
The Final Cut, álbum solo de Waters com Pink Floyd na capa. O álbum, como está escrito na contra-capa, é um memorando do pós guerra, escrito por Roger Waters e interpretado por Pink Floyd. Quase nem foi escrito todo por Roger. Das 13 faixas (se levarmos em consideração When The Tigers Broke Free que foi inserida previamente na remasterização de 2004), Waters escreveu as 13 e canta em 12. Gilmour fica com o papel de vocalista da raivosa Not Now John, que conta com backing-vocals super simpáticos cantando "Fuck all that", e sons de britadeiras também.
Um pouco mais a frente na estrada, em 1985, Roger Waters deixa a banda e espera que assim, a banda termine. Mas ao contrário do que pensava, David Gilmour e Nick Mason continuaram a usar o nome Pink Floyd, mesmo sem Waters. Isso levou nosso amigo de temperamento curto a processar os outros dois na justiça, pelo nome Pink Floyd. Depois de uma briga feia nos tribunais, Waters perdeu o processo, mas levou como prêmio de consolação o álbum The Wall, escrito quase inteiramente por ele. Se Waters não tivesse ganhado o The Wall, não faria mais shows atualmente, diga-se de passagem.
Com Waters fora, a banda (por banda leia-se David Gilmour e Nick Mason) se viu sem direção, pois Waters escrevia quase todas as letras. A banda necessitou de ajuda para compor o próximo álbum, que é o que tem mais músicos de fora de toda a carreira da banda.
A Momentary Lapse Of Reason, lançado em 1987, é concorrente a álbum mais fraco do Pink Floyd, concorrendo com The Final Cut. Por um lado, The Final Cut tem letras melhores, e do outro lado, A Momentary Lapse Of Reason tem música. Depois de seu lançamento, a banda partiria em turnê, que acabou virando um álbum ao vivo.
Delicate Sound of Thunder, gravado durante os shows da banda durante a turnê de A Momentary Lapse Of Reason, virando álbum duplo. Na capa, a alusão entre a luz e o som, duas coisas muito presentes durante os shows do Pink Floyd. Uma curiosidade interessante é que Delicate Sound of Thunder foi o primeiro álbum a ser tocado no espaço.
Mais tarde, a banda incluiria Richard Wright novamente na banda, e começariam a trabalhar num novo disco. Grande parte composto por David Gilmour e Poly Samson a bordo do barco-estúdio de Gilmour no rio tâmisa. O projeto acabaria sendo chamado de The Division Bell.
The Division Bell, lançado em meados de 1994, alcançou grande sucesso em várias partes do mundo. Apesar de tanto quanto The Division Bell quanto A Momentary Lapse of Reason serem muito julgados por não ter Waters na banda, são dois grandes álbuns. The Division Bell, inclusive, é meu segundo álbum favorito dos anos 90. Talvez diga o primeiro em alguma postagem.
Depois de lançarem o disco, o Pink Floyd saiu em turnê novamente e, novamente, saiu um álbum ao vivo gravado durante essa turnê. P.U.L.S.E.
P.U.L.S.E foi lançado como álbum duplo ao vivo em 1995, e vendeu muito bem. Diferentemente de seu sucessor ao vivo, P.U.L.S.E é muitas vezes cogitado como favorito de muitos fãs, e talvez até seja o melhor álbum ao vivo já gravado. Além de conter músicas do The Division Bell, P.U.L.S.E ainda inclui uma performance de The Dark Side Of The Moon, na íntegra! E assim como seu sucessor ao-vivo, inclui as músicas manjadas, meio over-rated que sempre fizeram parte do repertório do Pink Floyd 3.0, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, Another Brick in the Wall (Part 2), Hey You, Comfortably Numb, Wish You Were Here, e assim como o Delicate, termina com Run Like Hell.
Depois de muitos anos, sem tocar ao vivo desde 1981, a formação mais famosa do Pink Floyd se reúne no evento beneficente de Bob Geldof, Live 8. Geldof teria ligado para David Gilmour, perguntando se queria se reunir com a formação antiga da banda, a fim de tocar no Live 8. David Gilmour logo de cara disse 'não!'. Roger Waters acabou sabendo da reação de Gilmour, e o ligou, o pedindo para tocarem no evento, pois a causa do evento era mais importante que a briga entre os dois. David Gilmour pensou durante um dia inteiro e cedeu. Então, naquela noite de 2 de Julho de 2005, se reuniram no palco David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright, que não tocavam juntos a mais de 30 anos. Num show histórico, a banda mostrou que conseguiu deixar de lado toda a raiva e amargura do passado, a fim de tocarem em um evento que era maior do que isso.

Antes de tocarem Wish You Were Here, a banda dedicou a música para o homem que tinha tornado tudo aquilo possível, Syd Barrett. Se não fosse por Barrett, a banda não teria chegado onde chegou, nem alcançado o que alcançou. Barrett ainda estava vivo. Viria a falecer no ano seguinte, 2006. Mas mesmo assim, a banda fez uma última homenagem ao velho amigo, cuja a perda de razão e deterioração mental seguiria a banda até o seu fim.
Então, quase exatamente um ano depois, morreria o homem que fez tudo isso possível. De um câncer no pâncreas e complicações de diabetes, morrera Roger Keith Barrett, em sua residência, em Cambridge. Barrett nunca voltou a música, mas também nunca abandonou a arte. Segundo sua irmã, Barrett fotografava uma flor, fazia um quadro da foto, tirava uma foto do quadro e depois o destruía. Partiu desse mundo para ficar na memória da banda, e de todos os fãs ao redor do mundo, o eterno diamante louco Syd Barrett.
Ainda mais tarde, dois anos depois, faleceria outro importante personagem dessa jornada, em 15 de Setembro de 2008, em Londres, aos 65 anos, Richard William Wright, que sofria de câncer. Assim como seu amigo Syd Barrett, partiu desse mundo para a memória da banda e dos fãs. E assim como Barrett, sua memória viverá para sempre nas ótimas músicas que nos deixou, assim como Barrett, tanto em discos do Pink Floyd, quanto em carreira solo.
O que nos traz ao final dessa incrível jornada, de uma das bandas mais memoráveis da história. Como foi informado por Poly Samson em meados de 2013, o Pink Floyd estaria trabalhando num novo álbum, com as sobras do The Division Bell. Novo álbum que inclusive contém músicas feitas por Richard Wright ainda em vida. Lançado no ano passado, no caso 2014, não sei quando você está lendo isso, o álbum póstumo e fim da linha, The Endless River.
Com 18 músicas, dessas 17 são instrumentais ambiente. Apenas a última música, Louder Than Words, tem uma letra, escrita por Poly Samson, e datada de meados de 1993. The Endless River, apesar de não ter agradado a todos os fãs, ainda sim é uma ótima despedida. David Gilmour já afirmou que a banda acabou, e não vai voltar a gravar, e Nick Mason, como sempre está com dificuldade de aceitar o fim.
Então é isso. Espero que tenham gostado dessa postagem e das outras disponíveis aqui no blog. Esse é, oficialmente, a postagem que mais demorou a ser feita. Seria errado de minha parte levar todo o crédito por essa postagem, já que escrevi apenas até See Emily Play, depois meu parceiro aqui do blog Yusef continuou a escrever, até abandonar o barco pra me deixar escrever a partir do The Final Cut. Grande parte dessa postagem ele que escreveu, então, a postagem é dele.
The End