sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sheer Heart Attack

Sheer Heart Attack, lançado pelo Queen, em 1974. Esse foi o primeiro álbum do Queen a alcançar sucesso comercial, grande parte disso se dá por conta do single Killer Queen, que se tornou um enorme sucesso, e chegou a 2ª posição das paradas britânicas. Sheer Heart Attack alcançou um Top 20 nos EUA, coisa que o Queen não havia conseguido até então. Sheer Heart Attack é um dos melhores álbuns do Queen. Uma curiosidade é que, Brian May havia contraído cólera durante as turnês de Queen II, e ficou grande parte das gravações de Sheer Heart Attack internado no hospital, tendo que adicionar sua guitarra posteriormente.

Brighton Rock
Escrita por Brian, que apostou com Mercury que uma música de 5 minutos, grande parte solos de guitarra, seria um sucesso. O engraçado é que não foi tanto sucesso assim. Outra coisa engraçada são os vocais. Na letra, Mercury interpreta três personagens, o narrador, Jimmy e sua Jenny, para isso teve que fazer falsettos a propósito de imitar uma voz feminina. Eu adoro esse detalhe. Brian a compôs durante os processos de gravação de Queen II, tendo usado os solos da música em diversas apresentações de Son & Daughter. A música ainda passou por vários títulos, como 'Happy Little Day', 'Blackpool Rock', 'Bognor Ballad', 'Southend Sea Scort', 'Skiffle Rock', 'Herne Bay' até chegar a Brighton Rock.

Killer Queen
Música que levou esse disco ao estrelato. Não foi o primeiro single de sucesso do Queen, o primeiro foi Seven Seas Of Rhye do Queen II, porém foi o primeiro single do Queen a fazer sucesso fora da Inglaterra, chegando no Top 20 da Billboard americana. Brian May conta que estava em recuperação de sua doença, e via Mercury tocando a música no piano, e se sentia péssimo por não poder participar daquela bela canção. Killer Queen também foi gravado várias vezes no Top Of The Pops de 1974.

Tenement Funster
Composta e cantada por Roger Taylor, a letra fala sobre juventude e rebeldia. A música se interliga diretamente com a próxima, formando um pequeno Medley de três músicas.

Flick Of The Wrist
Flick Of The Wrist, de Mercury, é uma das melhores do disco. A música é pesada, com letra 'dark' e  um tom agressivo. Flick Of The Wrist também seria lançada com um duplo lado A com Killer Queen, porém menos comercializado. Também se interliga com a próxima música.

Lily Of The Valley
Com letra de Mercury, Lily Of The Valley é outra que conta sobre sua terra de fantasia, Rhye. Nos contando sobre quando o Rei de Rhye perdeu o trono. Lily of the Valley é uma das mais curtas da banda, porém é uma belíssima canção.

Now I'm Here
Composta por May, ainda no hospital. Assim como The Prophet's Song, Now I'm Here se utiliza de muito delay. Foi gravada no último dia de gravações do álbum, e também foi lançada como single. Sempre foi muito tocada nos concertos da banda, e atualmente é sempre usada como a faixa de abertura dos shows que a banda faz com Adam Lambert, infelizmente.

In The Lap Of The Gods
Composta por Mercury, que a considerava a precursora de Bohemian Rhapsody e de A Night At The Opera no geral. In The Lap Of The Gods foi dividida em três seções, a primeira, com arpeggios rápidos de piano, falsettos agudos de Taylor e vocalização, a segunda seção é uma balada romântica com os vocais de Mercury desacelerados, e a última seção é uma harmonia vocal cantando 'leave it on the lap of the gods' com mais falsettos de Taylor. In The Lap Of The Gods é simplesmente genial.

Stone Cold Crazy
Foi escrita por Mercury, em quanto em suas bandas pré-Queen. Stone Cold Crazy é muitas vezes considerada heavy-metal, tendo uma versão cover feita pela banda Metallica.

Dear Friends
Letra de May. Uma das músicas mais curtas da banda, porém, Freddie a canta com belíssimos vocais carregados de emoção.

Misfire
Outra muito curta. Primeira composição de Deacon a estar presente em um álbum da banda.

Bring Back That Leroy Brown
Uma brincadeira ao estilo anos 50. Contando com instrumentos inusitados como banjos. Nas apresentações ao vivo, a banda fazia uma versão instrumental, com um roadie aparecendo para entregar o banjo para May no meio da música. Mas a questão é, quem é Leroy Brown?

She Makes Me (Stormtrooper In Stilettoes)
Composta e cantada por May. Com um tom romântico, meio repetitivo. Seu final conta com May quase morrendo sem ar, carros da polícia e explosões.

In The Lap Of The God... Revisited
Muito presente nos shows da banda a partir de 1974, sendo tocada até hoje. In The Lap Of The Gods... Revisited, como o título já deixa a entender que se trata de uma continuação de In The Lap Of The Gods. In The Lap Of The Gods... Revisited começa como uma balada de piano, 'it's so easy, but I can't do it', depois vai para uma imensa sessão de 'Whooo lalala, who who lala, whowho uuuuu", e a música acaba com o som rasgando com uma explosão.

Fim, e até a próxima.




Quando palavras não são necessárias III

Chegamos a terceira parte dessa emocionante jornada! É uma trilogia! Uma trilogia boa, assim como Star Wars IV, V e VI, não como Star Wars I, II, III. E aqui vem mais uma seleção de incríveis instrumentais para você ouvir com os seus ouvidos (com o que mais).
Mas olhe que legal, começando com uma música nacional.

1 - A Ordem Dos Templários - Legião Urbana

2 - Anisina - Pink Floyd

3 - Procession - Queen

4 - Seven Seas Of Rhye... - Queen (de novo)

5 - Atom Heat Mother Suite - Pink Floyd

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Abbey Road

Abbey Road, lançado pela banda britânica já manjada The Beatles, em 1969, último disco gravado pelo quarteto. Gravado, veja só que coincidência, no Abbey Road Studios, em Londres. A faixa de pedestre que a banda atravessa na capa é a da rua Abbey Road, onde o estúdio se localiza. A banda já estava quase se dispersando, John estava cada vez mais distante de seus companheiros para ficar com Yoko, e muitas vezes ainda a levava ao estúdio, o que irritava os outros três. O único que ainda queria levar os Beatles para frente era Paul McCartney, os outros já não compartilhavam desse sentimento. Mas, como de alguma maneira já sabiam que esse era o último álbum que iam gravar juntos, decidiram dar o melhor de cada um, nesse último álbum juntos. Eles haviam gravado material antes, que ficou com o título de trabalho Get Back, e as gravações foram desastrosas e cheias de brigas. As gravações de Abbey Road foram pacíficas, como a muito tempo não eram. Eles trabalharam como uma equipe, e o resultado, bem, foi esse.

Come Together
Composição de Lennon, e música que abre o disco. Foi feita a pedido do guru do LSD, Timothy Leary, que concorria a governador da Califórnia, e sua frase de efeito era Let's Get It Together. Lennon admitiu que copiou grande parte da música de You Can't Catch Me, de Chuck Berry, o que acabaria virando caso na justiça mais tarde. E se quer saber, uma ótima abertura. A introdução é o clássico riff de baixo, que todos já conhecemos. A letra é muito estranha, e o solo é ótimo. Todos os solos desse álbum são por sinal. É o disco dos Beatles em que a guitarra está mais presente, e com os melhores solos. George Martin disse que Come Together é sua música favorita de toda a carreira dos Beatles.

Something
Uma das obras-primas de George Harrison no disco, escrita sobre a sua esposa na época, Pattie Boyd (que fugiria com um grande amigo de George, Eric Clapton). Segundo Paul McCartney, nem Lennon nem ele estavam conseguindo compor alguma coisa para o disco, e de repente surge George, com essa música. Com sua clássica introdução, sua letra fantástica, os ótimos vocais de George, as linhas de baixo de Paul, e a bateria de Ringo, Something se tornou um clássico instantâneo. Mas George não se contentou apenas com ela nesse álbum. Uma curiosidade: primeira música de Harrison a virar single.

Maxwell's Silver Hammer
Letra de Paul, que jurou que ela seria um sucesso. Maxwell's Silver Hammer foi a música que mais gerou discórdia em sua gravação. A letra conta, através de humor negro, a história de um psicopata chamado Maxwell, que mata suas vítimas com seu martelo de prata. Sucesso instantâneo. Além desse conteúdo, Paul ainda queria que Ringo "tocasse" bigorna. E ele "tocou". Fora isso, John ainda sentiu dificuldades em tocar o solo da música, e a banda estava disconfiada se a música realmente seria um sucesso, com Paul insistindo que seria. Não foi. Mas por algum motivo não foi banida da rádio como Lucy In The Sky With Diamonds foi. Ringo fora perguntado anos mais tarde qual sua pior lembrança enquanto estava com os Beatles, e ele respondeu, 'sem dúvida as gravações de Maxwell's Silver Hammer'.

Oh! Darling
Outra de Paul. Convenhamos que, Oh! Darling parece música de Striptease. Talvez era essa a intenção. Paul canta/grita essa música que é um clássico entre os fãs da banda. Uma ótima música, que é mais uma brincadeira, uma paródia da música dos anos 50 do que uma composição a ser levada a sério. Paul McCartney só gravava um pouco da voz de Oh! Darling uma vez pela manhã, quando chegava ao estúdio, pois era quando sua voz estava boa para alcançar as altas notas e gritar durante a música.

Octopus's Garden
Quem diria, uma composição inteiramente creditada a Ringo. Mas claro que, se tratando de uma música inteiramente escrita por Ringo, não é lá essas coisas. A letra fala sobre, literalmente, um jardim submarino de um polvo. Genial.

I Want You (She's So Heavy)
Uma das músicas mais longas e pesadas dos Beatles. O cara que escreveu essa letra, é simplesmente genial. A letra é apenas 'I want you, I want you so bad, I want you, I want you so bad it's driving me mad', e também 'She's so heavyyyyyyyy'. A banda conseguiu esticar isso pra sete minutos e quarenta e nove de duração. É, no meu ponto de vista, a In-a-Gadda-da-Vida dos Beatles, porque segue exatamente a mesma linha, música longa com longo improviso e letra estupidamente simples. Porém, eu gosto muito dessa música. No final dela, é usada uma técnica que faz parecer que o tom sobe cada vez mais, apesar de estar tocando apenas o riff de abertura repetidas vezes.

Here Comes The Sun
Lá atrás, em Something, eu disse que Harrison não se contentou apenas com uma música boa nesse disco. A outra é essa, Here Comes The Sun. Outro clássico instantâneo. Segundo George, ele compôs essa música na casa de Eric Clapton, que mais tarde roubaria sua mulher, "claptonmaníaco". Segundo ele, na época ele estava apenas na Apple, assinando papéis e outras coisas, e tirou folga um dia na casa de Eric, e no quintal dele, pegou o violão e compôs Here Comes The Sun. Nessa música nota-se um grande uso do sintetizador Mogg, muito presente no álbum todo, mais especificamente em Something, Because e Maxwell's Silver Hammer.

Because
A letra, bem, péssima. Mas e música, por outro lado, é muito legal. Acho que a letra é só uma desculpa mesmo para a vocalização toda. John, Paul e George gravaram separadamente suas vozes, três vezes cada, totalizando em um coro de 9 vozes.

You Never Give Me Your Money
Aqui começa, o que talvez tenha sido a coisa mais espetacular, musicalmente falando, que os Beatles já fizeram, o Medley de Abbey Road, que ocupa quase todo o lado 2. You Never Give Me Your Money é uma indireta diretamente direcionada ao empresário da banda na época, que só os dava papéis para assinar, e quando a banda perguntava sobre dinheiro, ele inventava alguma desculpa. Muito discreto.

Sun King
Aqui acontece como aconteceu em Because, mas as vocalizações não são tão complexas. Sun King tem trechos em espanhol, italiano, português e palavras inventadas. O título original era 'Here Comes The Sun King', mas por razões óbvias, o título foi reduzido a Sun King.

Mean Mr. Mustard
John, em retrospecto, diria que odeia essa música, que de fato é composição dele. A música fala sobre o malvado Sr. Mustard, e sua irmã, Pam. o que nos leva a próxima música.

Polythene Pam
Continuação de Mean Mr. Mustard, John, em retrospecto, também diria como odeia essa música, que também é dele. Ele descrevera tanto Mean Mr. Mustard quanto essa como "um pedaço de lixo escrito em um papel na Índia".

She Came In Through The Bathroom Window
Segundo Paul, a inspiração para essa canção seria uma conversa que teve com Mike Pinder, do Moody Blues, que lhe contou que uma groupie havia entrado pela janela do banheiro de Ray Thomas, também do Moody Blues, e teria passado a noite com ele. Paul gravou a guitarra e George gravou o baixo, e a faixa demorou dois dias pra ficar pronta.

Golden Slumbers
Tanto essa quanto a próxima são as mais conhecidas composições de Paul em Abbey Road. Golden Slumbers se trata de uma canção de ninar que viu em um livro, porém criou a melodia, pois não podia ver a melodia. Ele se interliga com a próxima canção.

Carry That Weight
Sua letra, "Boy, you're gonna carry that weight/Carry that weight a long time", podia se direcionar tanto a John, "se você deixar a banda vai carregar esse peso por muito tempo", ou ao próprio Paul, que carregava o peso de ser empresário da banda desde a morte de Epstein em 1968.

The End
Acho que o nome é auto-explicativo. Não fecha apenas o Abbey Road, mas fecha a carreira dos Beatles. Foi a última música gravada pela banda. The End foi escrita por Paul McCartney, que carrega uma filosofia em seus versos finais, "And in the end, the love you take is equal to the love you make". Essa é a única música dos Beatles em que Ringo faz um solo de bateria, além de John e George compartilharem o solo.

Her Majesty
Opa, achou que tinha acabado já? Não! Her Majesty é a primeira Hidden Track da história, se não considerarmos o Inner Groove de Sgt Pepper's, mas enfim, ela está escondida depois de 20 segundos de silêncio depois do final de The End. O acorde do começo era o último acorde de Polythene Pam, porque Her Majesty estava incialmente no Medley, mas a pedido de Paul foi retirada de lá. É a música mais curta dos Beatles, com meros 23 segundos de duração. Ela termina bruscamente com o primeiro acorde de She Came In Through The Bathroom Window.

Agora acabou mesmo.

Curiosidades
É o álbum mais vendido dos Beatles.
Seu nome inicial era para ser Everest, baseado no nome da marca de cigarros que um dos produtores fumava durante a produção, e a banda ia até fretar um jato para tirar a foto da capa no topo do monte Everest, mas como estavam em cima do prazo, tiraram a foto atravessando a rua.
O assistente de som é o mesmo que serviu o Pink Floyd nas gravações de The Dark Side Of The Moon, Alan Parsons.
Um dos fuscas que estão na capa está atualmente no museu da Volkswagen.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Histórias de Bandas Parte 2 - Pink Floyd


Pink Floyd em janeiro de 1968, da única sessão de fotos com todos os cinco membros.

O Pink Floyd com certeza foi uma das mais enigmáticas, fantásticas e problemáticas bandas que o mundo já viu. A banda se formou em Cambridge pelo nome de Sigma 6. A banda era inicialmente formada por Roger Waters, Richard Wright, Nick Mason e Bob Klose, que mais tarde deixaria-a por pressão de seus pais e seus colegas de faculdade. Na segunda metade dos anos 60, Roger Keith Barrett, mais conhecido pelo nome de Syd Barrett, entraria na banda e se tornaria seu líder e principal compositor, liderando a banda com seu gênio criativo sem limites. 


Tea Set em 1964. Da esquerda para a direitra: Richard Wright; Roger Waters; 
Nick Mason; Bob Klose; Syd Barrett

A banda seria renomeada diversas vezes, como Tea Set, até chegar a The Pink Floyd Sound, mais tarde abreviado para Pink Floyd, vindo do nome de dois músicos de blues obscuros, Pink Anderson e Floyd Council.

Floyd Council e Pink Anderson, respectivamente.

Sob a nova liderança, a banda tocaria em diversas casas noturnas na cena underground inglesa, como a UFO. Lá a banda tocava três sessões de duas horas, e praticamente só exploravam seus instrumentos, sem nem olhar para a platéia. O show de luzes era uma parte essencial do show, todas elas refletiam o clima geral da música.

Em 1967, Pink Floyd começou a atrair a indústria mainstream, fazendo-os conseguir um contrato com a EMI. Em março de 1967, foi lançado o primeiro single da banda, Arnold Layne (com Candy And A Currant Bun no lado-B). Fez um relativo sucesso (chegou ao vigésimo lugar nas paradas britânicas) e foi banida de várias rádios por causa do conteúdo da música que tratava-se sobre um travesti.

Em junho de 1967, lança o segundo single da banda, See Emily Play. Se saiu bem melhor do que Arnold Layne, chegando ao sexto lugar nas paradas.

Após o sucesso, obviamente a banda deveria gravar um LP, The Piper At The Gates Of Dawn, lançado em agosto de 1967. O álbum tivera alguns problemas de gravação devido a forma de como Barrett estava agindo, na qual ele agia de forma errática e muitas vezes ignorando as críticas do produtor Norman Smith (antigo engenheiro de som dos Beatles). Mas o que se mostra nesse álbum é uma produção totalmente profissional, mostrando que a banda não era como qualquer outra. Músicas dando origem ao space rock (Astronomy Domine), longos instrumentais (Interstellar Overdrive), fantasias e contos de fada (Matilda Mother, The Gnome, Lucifer Sam). Considerado um dos melhores álbuns de rock psicodélico já feito. E mais, todas as músicas foram compostas por Syd Barrett (com exceção de Take Up Thy Stethoscope And Walk de Roger Waters e Interstellar Overdrive, creditada a todos os membros da banda).

Capa do álbum, desenvolvida por Hipgnosis que 
faria todas as capas da banda.


Com o passar do tempo, o comportamento de Barrett foi piorando cada vez mais. Segundo Waters, em um dos shows Barrett entrou no palco com sua guitarra na mão. Foi até o microfone e ficou parado, olhando para o nada. Lançaram um single, Apples And Oranges, com Paintbox de Richard Wright no lado-B. O single não fez tanto sucesso quantos os anteriores.

Devido a estes problemas, David Gilmour, um velho amigo de Barrett, foi chamado para fazer parte da banda como quinto membro. A proposta era que como Syd era o principal compositor da banda, ele iria ficar apenas no estúdio enquanto os outros faziam as apresentações ao vivo. Mas isso provou não ser uma boa ideia, quando os outros esperavam que ele escrevesse mais hits pros singles. Ele não estava escrevendo boas músicas e quando escrevia, ele não as ensinava muito bem para os outros. Em março de 1968, se encontraram com seus empresários Peter Jenner e Andrew King para decidir o futuro da banda, sendo que Barrett decidiu sair.

Pink Floyd no início de 1968.

Após a saída de Barrett, estava na hora de fazer mais músicas. Mas o que iriam fazer sem o Barrett? Era uma tarefa difícil e arriscada. Então Wright, tentando simular o som de Syd, chegou com a música It Would Be So Nice, instantaneamente lançada em single com Julia Dream no lado-B. Mas... a canção falhou miseravelmente nas paradas. Waters e Mason, mais tarde, admitiriam o ódio por essa canção.

Agora, chegara a vez de Waters bolar algo. Com a ajuda de Gilmour, conseguiram outro single, Point Me At The Sky, com a esquisita Careful With That Axe, Eugene de Waters no lado-B. Outro single falhado. Seria o último single da banda até 1973.

Ao mesmo tempo estavam gravando seu novo LP, A Saucerful of Secrets. O álbum contém a última contribuição de Barrett, Jugband Blues. É interessante notar também, já que este é o único álbum em que a contribuição vocal de Wright supera a dos outros membros. Este havia composto duas músicas pro álbum: a subestimada Remember A Day e a esquecível See-Saw. Waters contribuiu com três músicas: Let There Be More Light, uma música mais ou menos, mas com um memorável riff de baixo; Set The Controls for The Hearts Of The Sun, tem influências bem africanas com batidas e percussões fortes; Corporal Clegg, uma das primeiras músicas da banda a falar sobre guerra, tema que se tornaria recorrente nas músicas de Waters. A faixa-título é uma música de 12 minutos, bem avant-garde, representando uma batalha. É interessante ouvir, mas é longa demais, podendo irritar algumas pessoas. O álbum em si é confuso. Diferente do The Piper, as músicas parecem não ter muita coesão, parecendo mais um amontoado de músicas mesmo.

A Saucerful of Secrets


Enquanto a banda estava tentando procurar um som, eles começaram a escrever trilha sonoras para filmes com Zabriskie Point e The Committee. Das trilhas sonoras, Pink Floyd lançou como álbum de estúdio Soundtrack from Film More, de 1969. O álbum, em sua maioria, são músicas instrumentais experimentais, enquanto as outras são músicas acústicas. Também tem as duas músicas mais pesadas da banda The Nile Song e Ibiza Bar. No mesmo ano de 1969 a banda gravou a música Moonhead para acompanhar a decida do homem na lua do canal de TV inglês BBC.

More

A banda havia alguns projetos ao vivo como The Man and the Journey, duas suítes contando uma história. O projeto não levou a nada já que boa parte das músicas eram as mesmas já havia gravado, mais algumas novas.

No mesmo ano a banda havia lançado Ummagumma. Um álbum duplo, com o primeiro disco sendo uma apresentação ao vivo e o segundo um álbum de estúdio. A apresentação ao vivo é ótima, com versões estendidas de Astronomy Domine, Careful With That Axe, Eugene, Set The Controls For The Heart Of The Sun e A Saucerful of Secrets, consideradas melhores que as versões de estúdio. Já o segundo disco, cada membro gravou uma música solo pro disco. A primeira é Sysyphus de Wright, parecendo mais uma trilha sonora. As outras duas são de Waters: Granchester Meadows, um folk bem calmo, estilo que ele seguiria em Atom Heart Mother. A outra é Several Species Of Small Furry Animals Gathering Together In A Cave And Grooving With A (ufa!) Pict, é literalmente o título que está na música, sendo que Waters está fazendo os sons dos animais, com diversos artifícios de estúdio. The Narrrow Way de Gilmour, com as duas primeiras partes abrindo com instrumentais experimentais e termina com uma inesquecível composição dele. The Grand Vizier's Garden Party, de Mason, é como seria se John Bonham fizesse um solo de bateria no Pink Floyd. O álbum foi bem recebido, chegando ao quinto lugar nas paradas. Mais tarde, os membros da banda afirmariam o seu desgosto pelo disco.

Mais uma maravilha do Hipgnosis.

Em 1970, Pink Floyd marcaria o ano com o épico Atom Heart Mother. A música homônima (creditada a todos os membros da banda, mais Ron Geesin) é um instrumental épico de 23 minutos, dividido em seis partes. Contém uso extensivo de uma banda de metais e de corais. Já o outro lado, contém uma música de cada membro: If, de Waters, com estilo folk semelhante a Granchester Meadows; Summer '68, de Wright e Fat Old Sun, de Gilmour. O álbum termina com outra épica de 13 minutos, Alan's Psychedelic Breakfast, literalmente isso. É o roadie da banda, Alan Styles, tomando café da manhã com músicas do Pink Floyd. É o primeiro álbum da banda a chegar ao primeiro lugar no Reino Unido. A banda falaria mais tarde o quanto detestavam o álbum e a música título, com Waters mencionando que "deve ser jogado no lixo e nunca mais ser ouvido novamente". A turnê foi cara pra banda, necessitando de uma banda de metais pra poder tocar a faixa-título e não tinham uma banda fixa, precisando da banda local da cidade para poder tocar.

Segundo a banda, eles não queriam nada que fosse psicodélico. E veio isso.

Meddle, de 1971, é considerado um álbum transicional pra banda. O álbum não tem tantos experimentos avant-garde, com músicas mais tradicionais. O álbum tem algumas baladas acústicas (A Pillow Of Winds, San Tropez), músicas pesadas (One Of These Days), épicas (Fearless) e vocais principais feitos por um cachorro (WTF?!) (Seamus). Mas a principal música é a do lado dois, que fecha o álbum, Echoes, de 23 minutos, ocupando o lado inteiro. Considerada uma das melhores músicas da banda, Echoes, tem uma das melhores letras e melodias já escritas por Waters (embora seja creditada a todos os membros da banda). Em geral, Meddle é um bom álbum, mostrando que a banda ainda tem muito o que melhorar.

Sabia que a capa é uma orelha?

Um ano depois foi lançado Obscured By Clouds, outra trilha sonora, dessa vez do filme francês La Vallée. O álbum em si não chama muita atenção, mas contém alguns momentos memoráveis com Free Four, Wot's... Uh The Deal? e The Gold It's In The... .


Obscured by Clouds

Nesse ano, Pink Floyd estreou uma série de músicas em suas apresentações com o título de Eclipse (A Piece for Assorted Lunatics). A ideia de Roger Waters era um álbum em que as pessoas possam lidar com coisas que as deixam loucas, focando nas pressões que a banda estava sofrendo e com o aparente problema mental de Syd Barrett. Com a banda concordando com a ideia, os quatro foram escrevendo material, do qual saiu um álbum lançado em março de 1973, The Dark Side of the Moon. Considerado um marco da banda e até mesmo da história da música, o álbum vendeu apenas 22 milhões de cópias, sendo um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, atrás apenas de Thriller de Michael Jackson. O álbum é genial, com músicas muito bem feitas e bem elaboradas. Time com um solo e uma letra incrível; Money, com um riff de baixo extremamente reconhecido e uma das músicas mais conhecidas da trupe; The Great Gig In The Sky, mostrando que a banda sempre queria algo diferente, usando Clare Torry nos vocais principais com uma incrível performance. O álbum foi produzido por Alan Parsons, que após seu sucesso com álbum, formou sua banda de rock progressivo, The Alan Parsons Project.

Acho que já vi isso em algum lugar...

O sucesso do álbum deixou a banda totalmente sem ideias. Esse período sem criatividade durou bastante tempo, até que Waters começou a desenvolver uma nova ideia: Syd Barrett, uma homenagem a seu antigo parceiro escreveram uma canção. Apresentaram ao vivo com o título de Shine On durante a turnê de The Dark Side of The Moon. Também haviam composto e apresentado duas outras músicas, Raving and Drooling e You've Gotta Be Crazy, fazendo críticas e sátiras políticas e sociais. Ao gravar o novo álbum, viram que não iam se encaixar no conceito que estavam preparando, retirando elas para serem usadas mais tarde.

No dia 5 de junho de 1975, Gilmour havia se casado com Ginger Hesenbein. No mesmo dia, a banda foi para o estúdio mixar suas músicas. Enquanto estavam completando a mixagem final de Shine On, um estranho homem gordo e careca carregando uma sacola de plástico havia entrado no estúdio. Waters não reconheceu o homem que estava lá. Gilmour achava que era algum empregado da EMI e Wright também estava estranhando o homem, presumindo ser um amigo de Waters. Ao lhe perguntar, ele havia percebido que era um antigo parceiro dele: Syd Barrrett. Gilmour, ao contar para Mason, ele ficara horrorizado. Waters afirmou que quase chorou ao ver seu amigo daquele jeito. Ao perguntar pra ele como havia ficado assim, ele apenas respondera que "tem uma geladeira enorme em casa e aí como muita carne de porco". Dando uma olhada na nova música da banda, ele havia falado que estava preparado para voltar pra banda, até mesmo perguntando se podia colocar mais algumas guitarras, respondendo que já haviam colocado as guitarras. Ele havia aparecido na recepção do casamento de Gilmour na cantina de Abbey Road, mas saiu sem avisar. Foi a última vez em que os membros da banda viram Barrett até sua morte em 2006.

Em setembro de 1975, Wish You Were Here chega as lojas. O álbum explora temas de ausência, a indústria musical e Syd Barrett. O tributo a Barrett, Shie On You Crazy Diamond, foi dividido em duas partes, uma no início e outra no final. A faixa-título é uma continuação do tributo, analisando de forma mais amigável e simples. As outras duas músicas: Welcome to the Machine, uma crítica a indústria musical, criticando por ser uma indústria guiada apenas pelo dinheiro. Contém uso extensivos de sintetizadores e de violões; Have a Cigar, continuação do tema anterior. Cantanda por Roy Harper, já que ambos Waters e Gilmour estavam insatisfeitos com suas respectivas versões. Critica a hipocrisia e a ganância das corporações musicais. O álbum é muito bem bolado, com músicas muito bem trabalhadas, onde cada um dos membros mostra seu talento, que há de sobra. Segundo Wright e Gilmour, é o álbum favorito deles.

Ronnie Rondell e Danny Rogers. No dia da fotografia, os ventos 
estavam na direção errada, queimando o bigode de Rondell.

Após o lançamento do álbum, a banda comprou um prédio na Britannia Row e transformaram em um estúdio. Em 1976 começaram a gravar o seu novo álbum, usando as músicas que haviam deixado de foram de Wish You Were Here. Baseadas no conceito proposto por Waters após ter lido "A Revolução dos Bichos" de George Orwell. Desse conceito saiu Animals. As músicas comparam as pessoas do cenário político da época com animais: os cachorros (Dogs) = empresários; porcos (Pigs (Three Different Ones)) = políticos; ovelhas (Sheep) = o povo. As outras duas (ou uma) é Pigs on the Wing, que abre e fecha o álbum. Diferente das outras músicas, é uma balada acústica  que Roger escreveu pra mulher que viria a ser sua esposa, Carolyne. O som é bem diferente dos álbuns anteriores, que contém um som mais pesado e baseado nas guitarras, em resposta ao movimento punk que estava em ascensão.

Apesar de ser creditado ao Hipgnosis, a ideia final foi de Waters onde 
sobrepuseram a imagem de um porco sobre a usina termoelétrica de Battersea.

O álbum seria motivo de diversas brigas entre os membros da banda, principalmente por causa dos royalties. Waters dividiu Pigs on the Wing com o objetivo de ganhar mais royalties sobre a música, mesmo tendo sido escrita e gravada como uma só, enfurecendo os outros membros. Gilmour ficou irritado pelo fato de Waters ter recebido igualmente os royalties e créditos de Dogs, mesmo tendo sido responsável por uma grande parte da música. Isso só estava começando.

Em 1978, depois do desastroso incidente em que Waters cupiu em um fã, o primeiro escreveu uma opera-rock que chamou de Bricks in the Wall. A história é a seguinte: Pink é um roqueiro que sofre de diversos problemas, desde a tenra infância até a seus dias atuais, criando uma parede imaginária na qual este se isola da sociedade. 

Durante a gravação, os membros ficaram insatisfeitos com a falta de contribuição de Wright. Wright que inicialmente estava produzindo junto com Gilmour, Waters, Bob Ezrin e James Guthire, mas estava deixando todos loucos com suas decisões no estúdio, atrapalhando os outros durante as gravações. Waters então decidiu que Wright deveria sair da banda. Gilmour, apesar de também achar que Wright não estava fazendo nada, não queria que Wright saísse da banda, mas Waters ameaçou não lançar o álbum se Wright não saísse, fazendo-o ir embora. Apesar disso, ele continuou como músico assalariado, terminando suas partes e indo com a banda na turnê.

Outros problemas como o "ditatorial" Waters estava encurtando os pavios dos outros. A participação dos royalties de Ezrin era menor do que dos outros produtores, com Waters o zombando de diversas formas. Dificlmente estava todos os membros juntos durante as gravações.

Finalmente, depois de todos esses problemas, foi lançado The Wall em novembro de 1979. Anteriormente, a banda havia lançado Another Brick in the Wall, Part 2 como single, conseguindo pela primeira e única vez, um single no primeiro lugar nas paradas. O álbum é duplo, com bastante músicas. O álbum é bem feito e muito bem idealizado, embora mostre que apenas Waters controlando a banda não ia dar muito certo. A turnê do álbum foi curta e cara em razão de que era gasto muito dinheiro por causa que era necessário usar uma "parede" e diversos efeitos de luz para ilustrar a história de Pink.

Bem auto-descritiva a capa, né? Afinal. é a primeira
capa da banda que não foi desenvolvida pelo Hipgnosis.


Logo após o lançamento, a banda recebeu a oferta de gravar seu show durante a turnê. O filme, que acabou tendo vários problemas, ele evoluiu para um filme da opera-rock, baseado nela. Com o título de Pink Floyd — The Wall, lançado em 1982, é considerado um clássico cult. A história do filme é toda contada através das músicas da opera, que foram remixadas especialmente para o filme. Há uma música nova: When the Tigers Broke Free

Waters teve a ideia de lançar um álbum novo com a trilha sonora do filme, entitulando de Spare Bricks, mas após este se informar sobre os eventos da Guerra das Malvinas, houve uma mudança de direção artística, tendo a ideia de gravar um álbum propriamente dito. Waters achava a resposta de Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido, ufanista e desnecessária. dedicando o álbum ao seu pai. A relação entre Waters e Gilmour se deteriorou rapidamente pois Gilmour queria escrever material novo ao invés de reciclar músicas não usadas no The Wall, contribuindo muito pouco pro álbum.

O resultado foi The Final Cut, com Waters escrevendo todas as músicas. O álbum foi bem sucedido, mas é controverso entre os fãs já que muitos o consideram um álbum repetitivo e muito "depressivo", com alguns chegando a dizer que é praticamente um álbum solo de Waters, com Pink Floyd como banda de estúdio. O álbum contém alguns momentos memoráveis, mas mostra que deixar o controle criativo exclusivamente para um membro só não ia dar certo.

As faixas representam as medalhas dadas por bravura, e serviço
prestado na África durante a Segunda Guerra.

The Final Cut, álbum solo de Waters com Pink Floyd na capa. O álbum, como está escrito na contra-capa, é um memorando do pós guerra, escrito por Roger Waters e interpretado por Pink Floyd. Quase nem foi escrito todo por Roger. Das 13 faixas (se levarmos em consideração When The Tigers Broke Free que foi inserida previamente na remasterização de 2004), Waters escreveu as 13 e canta em 12. Gilmour fica com o papel de vocalista da raivosa Not Now John, que conta com backing-vocals super simpáticos cantando "Fuck all that", e sons de britadeiras também.
Um pouco mais a frente na estrada, em 1985, Roger Waters deixa a banda e espera que assim, a banda termine. Mas ao contrário do que pensava, David Gilmour e Nick Mason continuaram a usar o nome Pink Floyd, mesmo sem Waters. Isso levou nosso amigo de temperamento curto a processar os outros dois na justiça, pelo nome Pink Floyd. Depois de uma briga feia nos tribunais, Waters perdeu o processo, mas levou como prêmio de consolação o álbum The Wall, escrito quase inteiramente por ele. Se Waters não tivesse ganhado o The Wall, não faria mais shows atualmente, diga-se de passagem.
Com Waters fora, a banda (por banda leia-se David Gilmour e Nick Mason) se viu sem direção, pois Waters escrevia quase todas as letras. A banda necessitou de ajuda para compor o próximo álbum, que é o que tem mais músicos de fora de toda a carreira da banda.


A Momentary Lapse Of Reason, lançado em 1987, é concorrente a álbum mais fraco do Pink Floyd, concorrendo com The Final Cut. Por um lado, The Final Cut tem letras melhores, e do outro lado, A Momentary Lapse Of Reason tem música. Depois de seu lançamento, a banda partiria em turnê, que acabou virando um álbum ao vivo.


Delicate Sound of Thunder, gravado durante os shows da banda durante a turnê de A Momentary Lapse Of Reason, virando álbum duplo. Na capa, a alusão entre a luz e o som, duas coisas muito presentes durante os shows do Pink Floyd. Uma curiosidade interessante é que Delicate Sound of Thunder foi o primeiro álbum a ser tocado no espaço.
Mais tarde, a banda incluiria Richard Wright novamente na banda, e começariam a trabalhar num novo disco. Grande parte composto por David Gilmour e Poly Samson a bordo do barco-estúdio de Gilmour no rio tâmisa. O projeto acabaria sendo chamado de The Division Bell.


The Division Bell, lançado em meados de 1994, alcançou grande sucesso em várias partes do mundo. Apesar de tanto quanto The Division Bell  quanto A Momentary Lapse of Reason serem muito julgados por não ter Waters na banda, são dois grandes álbuns. The Division Bell, inclusive, é meu segundo álbum favorito dos anos 90. Talvez diga o primeiro em alguma postagem.
Depois de lançarem o disco, o Pink Floyd saiu em turnê novamente e, novamente, saiu um álbum ao vivo gravado durante essa turnê. P.U.L.S.E.


P.U.L.S.E foi lançado como álbum duplo ao vivo em 1995, e vendeu muito bem. Diferentemente de seu sucessor ao vivo, P.U.L.S.E é muitas vezes cogitado como favorito de muitos fãs, e talvez até seja o melhor álbum ao vivo já gravado. Além de conter músicas do The Division BellP.U.L.S.E ainda inclui uma performance de The Dark Side Of The Moon, na íntegra! E assim como seu sucessor ao-vivo, inclui as músicas manjadas, meio over-rated que sempre fizeram parte do repertório do Pink Floyd 3.0, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, Another Brick in the Wall (Part 2), Hey You, Comfortably Numb, Wish You Were Here, e assim como o Delicate, termina com Run Like Hell.
Depois de muitos anos, sem tocar ao vivo desde 1981, a formação mais famosa do Pink Floyd se reúne no evento beneficente de Bob Geldof, Live 8. Geldof teria ligado para David Gilmour, perguntando se queria se reunir com a formação antiga da banda, a fim de tocar no Live 8. David Gilmour logo de cara disse 'não!'. Roger Waters acabou sabendo da reação de Gilmour, e o ligou, o pedindo para tocarem no evento, pois a causa do evento era mais importante que a briga entre os dois. David Gilmour pensou durante um dia inteiro e cedeu. Então, naquela noite de 2 de Julho de 2005, se reuniram no palco David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright, que não tocavam juntos a mais de 30 anos. Num show histórico, a banda mostrou que conseguiu deixar de lado toda a raiva e amargura do passado, a fim de tocarem em um evento que era maior do que isso.


Antes de tocarem Wish You Were Here, a banda dedicou a música para o homem que tinha tornado tudo aquilo possível, Syd Barrett. Se não fosse por Barrett, a banda não teria chegado onde chegou, nem alcançado o que alcançou. Barrett ainda estava vivo. Viria a falecer no ano seguinte, 2006. Mas mesmo assim, a banda fez uma última homenagem ao velho amigo, cuja a perda de razão e deterioração mental seguiria a banda até o seu fim.
Então, quase exatamente um ano depois, morreria o homem que fez tudo isso possível. De um câncer no pâncreas e complicações de diabetes, morrera Roger Keith Barrett, em sua residência, em Cambridge. Barrett nunca voltou a música, mas também nunca abandonou a arte. Segundo sua irmã, Barrett fotografava uma flor, fazia um quadro da foto, tirava uma foto do quadro e depois o destruía. Partiu desse mundo para ficar na memória da banda, e de todos os fãs ao redor do mundo, o eterno diamante louco Syd Barrett.

Ainda mais tarde, dois anos depois, faleceria outro importante personagem dessa jornada, em 15 de Setembro de 2008, em Londres, aos 65 anos, Richard William Wright, que sofria de câncer. Assim como seu amigo Syd Barrett, partiu desse mundo para a memória da banda e dos fãs. E assim como Barrett, sua memória viverá para sempre nas ótimas músicas que nos deixou, assim como Barrett, tanto em discos do Pink Floyd, quanto em carreira solo.

O que nos traz ao final dessa incrível jornada, de uma das bandas mais memoráveis da história. Como foi informado por Poly Samson em meados de 2013, o Pink Floyd estaria trabalhando num novo álbum, com as sobras do The Division Bell. Novo álbum que inclusive contém músicas feitas por Richard Wright ainda em vida. Lançado no ano passado, no caso 2014, não sei quando você está lendo isso, o álbum póstumo e fim da linha, The Endless River.


Com 18 músicas, dessas 17 são instrumentais ambiente. Apenas a última música, Louder Than Words, tem uma letra, escrita por Poly Samson, e datada de meados de 1993. The Endless River, apesar de não ter agradado a todos os fãs, ainda sim é uma ótima despedida. David Gilmour já afirmou que a banda acabou, e não vai voltar a gravar, e Nick Mason, como sempre está com dificuldade de aceitar o fim.


Então é isso. Espero que tenham gostado dessa postagem e das outras disponíveis aqui no blog. Esse é, oficialmente, a postagem que mais demorou a ser feita. Seria errado de minha parte levar todo o crédito por essa postagem, já que escrevi apenas até See Emily Play, depois meu parceiro aqui do blog Yusef continuou a escrever, até abandonar o barco pra me deixar escrever a partir do The Final Cut. Grande parte dessa postagem ele que escreveu, então, a postagem é dele.

The End

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Rubber Soul

Alma de Borracha numa tradução livre. Título, que foi escolhido em quanto o fotógrafo mostrava as possíveis fotos para a capa do álbum em slide, e uma das fotos escorregou e ficou distorcida, logo a banda aderiu à capa, e escolheu o título. Lançado em 1965, esse disco marca um grande  amadurecimento no quesito de musicalidade em composição, se compararmos aos anteriores da banda. As composições deixaram de visar o público adolescente e passou a atingir um público mais velho. As letras passaram a ser mais introspectivas e pessoais, a lá Bob Dylan. Falando em Dylan, esse álbum tem uma grande influência folk-rock. Um dos melhores já lançados pelos Beatles, e, sinceramente, o primeiro realmente bom. Os Beatles passaram a se dedicar mais no estúdio, e a fazer cada vez menos shows. Seguem as faixas e meu pequeno review.

Drive My Car
Versão original de Meu Calhambeque de Roberto Carlos. É sério! Bem, mais ou menos. Apesar de Roberto Carlos ter de fato "se inspirado" nos Beatles, as músicas são bem diferentes. Drive My Car é a história de um motorista contratado por uma aspirante a atriz, que nem tem carro, mas está o contratando por segundas intenções... Drive My Car é uma música cheia de duplo-sentido e insinuações sexuais, mas um hit completo na época!

Norwegian Wood (This Bird Has Flown)
Uma das melhores dos Beatles. Norwegian Wood foi a primeira música pop a incluir uma cítara. Claro que os Stones iam copiar depois, né Paint it Black? Norwegian Wood conta as desventuras de um John Lennon e seu caso extra-conjugal, mas sem referências diretas. O título foi dado, porque, segundo Paul McCartney, muitas pessoas construiam suas casas na época com madeira norueguesa, apesar do título não ter muito a ver com a canção.

You Won't See Me
Música de Paul, sobre seus desentendimentos com sua então esposa Jane Asher, que o ignorava e não atendia suas ligações. You Won't See Me não é a única música a falar dos desentendimentos com a mesma mulher. Também temos We Can Work It Out e Hello Goodbye. Imagine como eram um casal pacífico e que não brigava.

Nowhere Man
"He's a real nowhere man, sitting in his nowhere land, making all his nowhere plans for nobody", a famosa introdução a capella. Nowhere Man tem uma letra filosófica e existêncialista, que segue a mesma linha de Scarecrow do Pink Floyd. Nowhere Man é, pasmem, a primeira música dos Beatles a não falar de amor, lançada no sexto álbum deles! Nowhere Man é uma das melhores dos Beatles, e desse disco com certeza.

Think For Yourself
Composta e cantada por George Harrison, Think For Yourself não é o ponto alto dele nesse álbum, mas vamos chegar lá. Think For Yourself é uma música boa, mas sem grande destaque. Apenas mais uma dentro de um disco.

The Word
Nem deveria ter sido incluída aqui em primeiro lugar. The Word é uma música muito chata. Porque álbuns bons tem músicas ruins? Innuendo tem Delilah, News Of The World tem Get Down Make Love, A Saucerful of Secrets tem Corporal Clegg, e Rubber Soul tem The Word. Composta por Lennon e McCartney sob influência de maconha, essa música nos prova que maconha não é uma boa ajuda pra compor, como o Reagge já havia nos ensinado. The Word nem pra lado B serve.

Michelle
Uma balada de Paul, com linhas em francês. Michelle é uma belíssima canção, mas não há muito a dizer sobre ela. Um grande sucesso, inclusive aqui no Brasil. Paul era o melhor compositor dos Beatles.

What Goes On
Composta por Lennon/McCartney/Starkey. Sim, Ringo ajudou também. Ele canta por sinal. What Goes On segue a linha das músicas mais antigas da banda, Ringo se questionando o que se passa dentro da cabeça da garota, porque ela quebra o coração dele repetidas vezes. Coitado do Ringo.

Girl
Essa música é muito boa. Girl, além de sua letra impecável, e o que parece ser alguém cheirando cocaína durante o refrão (Oh giiiiiirl, Snhshhhh). Uma obra de John, uma de suas melhores nesse álbum.

I'm Looking Through You
Outra que fala sobre Jane Asher... Larga dessa mulher Paul! Em I'm Looking Through You, Paul reclama como ela mudou, que é praticamente outra pessoa, e que ele vê através dela. Minha favorita desse disco por algum motivo além de meus conhecimentos.

In My Life
Melhor composição de Lennon no álbum. In My Life, com sua letra retrospectiva e profunda, através do passado, falando sobre os lugares que frequentava que já não existem mais, antigos amigos já falecidos, e como volta a pensar neles ainda depois de tanto tempo. In My Life, me arrisco a dizer, melhor música do álbum.

Wait
Outra sem destaque. Outra que segue a linha das músicas antigas. Porém melhor que The Word. Próxima.
If I Needed Someone
Melhor música de George no disco. Além de sua introdução, que eu adoro, If I Needed Someone é minha música favorita de George Harrison em toda a carreira dos Beatles! Claro que depois de Here Comes The Sun e Love You To, mas ainda conta.

Run For Your Life
Se The Word não estivesse incluída nesse disco, Run For Your Life seria a pior, porque de fato, não é boa. Com um tom ameaçador, e Country ao mesmo tempo, Run For Your Life emplaca a lista de piores dos Beatles.

Recepção e Legado
Um dos melhores, mais vendidos e um álbum que influenciou a música que viria depois. Influenciou os Stones a evoluírem, pois eles tem que andar copiados com os Beatles. Se bem que os Stones nunca evoluíram, e continuam com a mesma sonoridade que tinham nos anos 60... Mas enfim, Rubber Soul é ótimo, tem duas músicas ruins, o resto é bom. Te vejo na próxima postagem!



Quando palavras não são necessárias II

Outra seleção de instrumentais de Rock, que mesmo sem palavras, são grandes clássicos. Desafio de hoje: descubra o tema desta seleção de músicas.

1 - One Of These Days - Pink Floyd

2 - A Saucerful Of Secrets - Pink Floyd

3 - Any Colour You Like - Pink Floyd


4 - Pow R. Toc H. - Pink Floyd

5 - Marooned - Pink Floyd

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Hot Space

Espaço Quente, em tradução livre. Não é o nome certo para definir o que te espera a ouvir uma coisa dessas. Lançado num gênero pop-funk-soul, para sugar um pouco mais do sucesso do single Another One Bites The Dust do álbum The Game, esse álbum nos mostra que até uma banda legendária como o Queen faz porcarias, não só uma, a outra é Flash Gordon, mas vamos chegar lá. A capa, idealizada por Roger Taylor, é uma das coisas que eu gosto nesse álbum, mesmo sendo tão criticada quanto o álbum. Eu gosto. Eu acho criativa. Apesar de Freddie Mercury não ter nem o nariz nem a boca, John Deacon ter perdido um olho, Roger Taylor parecer uma menina e Brian May sair mal nessa capa assim como saia em fotos, eu gosto. Hot Space é sempre taxado por muitos fãs como o pior álbum do Queen, inclusive por mim, Hot Space é uma surpresa, já que o Queen até então tinha nos presenteado com álbuns fantásticos. Lançado em 1982, será que Hot Space é tão ruim assim?

Staying Power
Um ótimo começo, pra preparar você pra o que vem depois. Essa faixa é muito irritante. Staying Power é uma faixa funk, com saxofones e um baixo muito presente, e bem distorcido. A letra, de tão ruim, nem merece que eu comente alguma coisa sobre ela. Essa faixa é uma porcaria, mas tem piores nesse álbum, se prepare!

Dancer
Seguindo a mesma linha de Staying Power, só que com um formato mais disco, e pior. Dancer é daquelas faixas sem grande destaque em um álbum, nesse caso quase o álbum inteiro. O Queen queria entrar na moda disco eu assumo, só que depois dela sair de moda. Já estamos nos anos 80 aqui. Música disco ficou nos anos 70. O Queen também deveria ter ficado.

Back Chat
Se me fizessem ouvir Staying Power, Dancer e Back Chat seguidas, mas sem me dizer o nome de cada uma, eu não saberia diferenciar. São tão parecidas. Todas nessa levada disco-funk com letra escrota. Mas o pior ainda está por vir.

Body Language
Considerada por muitos (por mim), a pior música do Queen. Com razão. Como se não bastasse ser uma música de alto teor sexual, algo que você ouve na rádio diariamente, e de não ter guitarra, sim, uma música do Queen, que tem simplesmente um dos melhores guitarristas da história, não tem guitarra, a música ainda foi lançada como um single nos United States e adivinhe, está agora no Greatest Hits na versão americana! O que tem de errado com vocês EUA?
A música, "composta" por Freddie Mercury, conta somente com um baixo sintético, um sintetizador e palmas. Composta com a bunda, diga-se de passagem.

Action This Day
Chata. Sem destaque. Letra chata e repetitiva. Próxima.

Put Out the Fire
Única música Rock nesse álbum funk-disco-soul, e não é lá grande coisa. Apesar de conter a melhor guitarra que você vai ouvir nesse álbum, e de lembrar um pouco as músicas mais antigas do Queen, não chega ao nível de ser boa. Mas eu gosto. Um pouco. Mas eu gosto.

Life Is Real (Song For Lennon)
Homenagem de Freddie Mercury para John Lennon, que havia sido baleado em 8 de Dezembro de 1980, dois anos antes do álbum ser lançado. Uma das três músicas boas do álbum. Realmente, é uma ótima homenagem à Lennon. Uma grande canção. Uma exceção aqui.

Calling All Girls
Composição de Roger Taylor, Calling All Girls é uma porcaria, como a maior parte desse álbum, e uma música que eu tenho vergonha de admitir que eu gosto. Sério, eu gosto dessa música por algum motivo, mesmo ela sendo uma droga. Para alguém que compôs músicas como Drowse, Radio GaGa e grande parte de Innuendo, Roger deu uma cagada nessa música. Convenhamos Roger, porque?

Las Palabras de Amor (The Words Of Love)
Uma homenagem aos fãs latinos da banda, cantada grande parte em espanhol. Meio fraca. Chegou a ser tocada no Top Of The Pops em 1982. Mas fraca. O Queen, tem outras duas músicas que são grande parte cantadas em outra língua que não é inglês, Teo Torriate (Let Us Cling Together), cantada versos em japonês, e Mustapha, cantada em árabe, inglês, persa e em palavras inventadas. Mustapha é uma canção com um teor mais humorístico, Teo Torriate é uma grande canção, mas Las Palabras de Amor não conseguiu ser.

Cool Cat
Cool Cat parece uma reprise do trio-bosta do começo do disco, Staying Power-Dancer-Back Chat. Só que menos pior que as três. Não deixa de ser ruim, porque de fato é ruim. Nessa música parece que Freddie Mercury está tentando se transformar em uma cantora negra de soul music. Porque canta como uma mulher aqui. Concorrente a uma das piores do Queen.

Under Pressure
Finalmente chegamos aqui, Under Pressure, a jóia rara, a melhor música desse álbum, e uma das melhores do Queen. Surgida informalmente em um encontro do Queen com David Bowie, essa música se tornou muito grande. Uma verdadeira colaboração de duas grandes vozes, Freddie Mercury e David Bowie. Under Pressure, por si só, poderia muito bem ter sido apenas um single, e nos livrado desse álbum. A letra é fantástica e se encaixa ainda nos dias de hoje. Principalmente minha parte favorita, o final, onde Bowie canta: 'Cause love's such an old fashioned word, and love dares you to care for the people on the edge of the night, and love dares you to change our way about caring about ourselves, this is our last dance, this is our last dance, this is ourselves, under pressure. Um ótimo final para esse monte de porcaria chamado Hot Space.

Recepção e Legado
Ainda está aqui? Acabou. Vá pra casa.