Veja, aqui estou eu de novo falando sobre um álbum do Pink Floyd. Domingo a tarde, não tenho muito pra fazer. Wish You Were Here foi lançado em 1975, e é o álbum favorito de David Gilmour e era o favorito de Richard Wright. Wish You Were Here, apesar de ser um dos melhores álbuns do Pink Floyd, foi lançado em uma época terrível da banda. Eram brigas atrás de brigas e muitos desentendimentos. Roger Waters chegou a brincar em uma entrevista que "o clima estava tão ruim que o disco poderia ter se chamado Wish You Weren't Here". O álbum surgiu de um projeto feito durante os shows da banda, previamente chamado de Shine On You Crazy Diamond, e além das músicas que contam no disco, ainda tinha as músicas Raving and Drooling e You've Got to Be Crazy que não foram usadas no disco final por não se encaixarem no conceito do disco, que por sinal é a ausência de pessoas importantes, ou simplesmente a ausência em si. As duas faixas seriam reaproveitadas em Animals, mas vou chegar lá. A capa, também da Hipnogosis, mostra um aperto de mão entre dois homens, um deles em chamas, logo, ele não existe. No momento da fotografia, o vento não estava colaborando na direção para onde soprava, fazendo o fogo do terno do segundo homem queimar o bigode do primeiro. Depois disso eles trocaram de posição e a foto foi invertida. Em 1975 o disco era comercializado com uma capa preta que escondia a arte do álbum. Nessa capa preta estava o famoso aperto de mão entre um homem e uma máquina.
O álbum alcançou boas posições nas paradas tanto britânicas quanto americanas, e está na lista de álbuns mais vendidos da história.
Durante as gravações do disco, um homem careca, gordo, de sobrancelhas raspadas chegou no estúdio perguntando onde podia por a guitarra. Nenhum dos membros da banda o reconheceria no primeiro momento. Posteriormente viriam a descobrir que o tal homem era Syd Barrett, criador da banda e ex-guitarrista. Roger Waters disse "foi muito triste ver meu amigo naquela situação". Todos se comoveram com o estado que Syd estava. Barrett disse que estava pronto para voltar para a banda, porém ele não entrou. Depois daquela data, nenhum deles voltaria a ver Barrett até o dia em que ele apareceu na recepção do casamento de Gilmour e foi embora sem avisar. Depois disso, os membros da banda não o veriam mais até sua morte em 2006.
Antes e depois
Agora as faixas como de costume:
Shine On You Crazy Diamond (Parts 1-5)
A grande composição em grupo, a grande duração (25 minutos no total, todas as partes) e a melhor performânce vocal de Waters em toda a carreira da banda, e a minha música favorita do Pink Floyd. Shine On You Crazy Diamond no total tem 25 minutos de duração, sendo a música mais longa do Pink Floyd, porém ela foi dividida no começo e no final do disco. A letra é uma homenagem ao antigo companheiro de banda e amigo, Syd Barrett, que ironicamente apareceu no estúdio em quanto a banda ouvia a faixa. Para gravar a guitarra, Gilmour usou uma parte do estúdio destinada a música clássica. A faixa já vinha sendo feita desde 1974, e quase apareceu no álbum que não saiu, Household Objects, disco onde não eram usados instrumentos convencionais. Para o disco não lançado, foi gravado uma espécie de órgão feito de taças de vinho enchidas com quantidades diferentes de água, que mais tarde seris reutilizada a gravação como introdução de Shine On You Crazy Diamond.
Part 1 - 0:00 - 3:54: A primeira parte da música começa com um fade-in de um sintetizador Hammond, além das já comentadas taças de vinho, e um solo melancólico de guitarra feito por Gilmour em sua Fender Stractocaster, com bastante reverb e compressão.
Part 2 - 3:55 - 6:27: Começa com um tema de quatro notas, (Bb, F, G, E), conhecido como "Syd's Theme". Aqui começa a bateria de Mason e o baixo de Waters, e a parte 2 ainda inclui outro solo de Gilmour.
Part 3 - 6:28 - 8:42: Começando com um solo de sintetizador Minimoog por Wright, essa parte apresenta ainda mais um solo de Gilmour.
Part 4 - 8:43 -11:10: A parte mais conhecida e memorável da música. Aqui Waters começa a sua melhor performance vocal de toda a carreira da banda, cantando seu perfeito tributo ao antigo amigo Syd Barrett. Gilmour, Wright e duas cantoras, Venetta Fields e Carlena Williams cantam os backing-vocals.
Part 5 - 11:11 - 13:30: Começa com o final da parte anterior, duas guitarras tocando arpeggios em harmonia. O som das guitarras é sobreposto pelo som de um maravilhoso solo de saxofone, tocado por Dick Parry, que também tocou saxofone em Us & Them e Money de The Dark Side Of The Moon, de 1973, e viria a tocar saxofone de novo com a banda em Wearing The Inside Out, de The Division Bell de 1994. O saxofone barítono de Parry deixa lugar para um solo de saxofone tenor, também de Parry. Os saxofones dão lugar a um sintetizador que forma um som de música concreta que liga essa parte à próxima música.
Welcome To The Machine
Escrita e cantada por Waters, que canta juntamente com Gilmour. Começa com sintetizadores bem fortes de Wright e um violão de Gilmour. A letra foge do conceito inicial, mas forma um conceito secundário juntamente com Have a Cigar, que é a indústria da música. Welcome to the Machine conta a desilusão que a indústria da música causa aos músicos, se mostrando apenas uma imensa máquina de produção de dinheiro. Foi feito um vídeo musical para a música por Gerald Scarfe, o mesmo homem que fez as ilustrações de The Wall e as animações para o filme de mesmo nome.
Have a Cigar
Começando aqui o lado 2, Have a Cigar foi escrita também por Waters, e segue o mesmo conceito da música anterior. Mas diferentemente de Welcome to the Machine, Have a Cigar é cantada num tom sarcástico, quase cínico, contando a visão do produtor. A canção é cantada não por um membro da banda, mas sim por Roy Harper, cantor folk inglês que estava gravando no mesmo estúdio. A razão disso é que nem Gilmour nem Waters estavam satisfeitos com seus resultados na gravação da música, e Roy se ofereceu para tentar. Waters depois diria que não gostou da gravação de Harper, e que se tivesse forçado um pouco mais sua voz, teria atingido um resultado melhor. A música termina com um belo e longo solo de Gilmour, que termina abaixando o volume drásticamente, ficando com o som de um rádio AM, final que por sinal foi gravado no carro de Waters.
Wish You Were Here
A faixa título e uma das músicas mais conhecidas, talvez a mais conhecida da banda. Escrita por Gilmour, teve sua introdução inspirada pela música country americana. Sua letra também é uma homenagem a Barrett, apesar de muitas vezes se passar por uma música romântica. Wish You Were Here começa com o final de Have a Cigar, com o volume no nível de um rádio AM, até que a música começa de verdade. Completamente acústica e cantada por Gilmour, contando apenas com o baixo de Waters como instrumento elétrico.
Shine On You Crazy Diamond (Parts 6-9)
Chegamos, enfim, ao final do álbum. A segunda parte de Shine On You Crazy Diamond, com 12 minutos de duração, e mais quatro partes da primeira música, totalizando nove partes.
Part 6 - 0:00 - 4:39 - Começa com o vento do final de Wish You Were Here. O vento tem um fade-out e dá lugar a um solo de baixo. Gilmour aparece com tudo num solo de lap steel guitar, um tipo de guitarra slide, pequena, que cabe no colo de uma pessoa.
Part 7 - 4:40 - 6:09 - Contém outra parte de letra, também cantada por Waters e com os backing vocals das mesmas pessoas citadas anteriormente.
Part 8 - 6:10 - 9:07 - Começa com Waters tocando uma guitarra, seguido por Gilmour tocando os arpeggios. Numa progressão sólida ao estilo de funk, o som vai tendo um lento fade-out até a marca de nove minutos, onde o teclado de Wright domina.
Part 9 - 9:08 - 12:30 - Gilmour a descreve como uma lenta marcha funeral, com dominância dos teclados de Wright, em um lento fade-out. A bateria de Mason aqui é muito presente, a guitarra não é tão presente. A música termina com os sintetizadores de Wright tocando uma melodia, até a música terminar em um fade-out.


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