quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Histórias de Bandas Parte 1 - The Beatles

   
            Os Beatles não foram uma banda, foram A banda. Formada no final dos anos 50 em Liverpool, no interior da Inglaterra, na escola Quarry Bank High School, por isso o nome da primeira formação da banda foi The Quarrymen. A banda passou por várias formações até atingir a primeira a ter algum sucesso, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Pete Best.
A banda foi para o centro do rock underground na época, Hamburgo, Alemanha. Lá tocaram em clubes de Strip-Tease, casas noturnas e foram deportados por começarem acidentalmente um incêndio em um cinema. Em Hamburgo, a banda era praticamente uma banda Punk, Lennon falava palavrões e contava piadas sujas para a platéia, usavam couro da cabeça aos pés, botavam fogo em camisinhas em cima do palco, e por aí vai. Uma curiosidade, Harrison, que era menor de idade na época, perdeu sua virgindade com uma "mulher da vida" em Hamburgo.
Depois de serem mandados embora da Alemanha, os Beatles começaram a tocar, no hoje famoso, Cavern Club. No ano de 1960, no Cavern, conheceram seu mais novo empresário, Brian Epstein.
Brian vinha de uma tradicional família judia dona de lojas de móveis pela Inglaterra. Brian entrou no Cavern Club, naquela noite de 1960, e conheceu os Beatles, e passou a empresaria-los. Epstein não tinha nenhuma experiencia em empresariar grupos, mas tentou a sorte, e deu certo. Brian já era rico e não fazia isso pelo dinheiro, ele realmente acreditava no potencial dos garotos. 
Dois anos mais tarde, a banda simplesmente expulsa Pete Best da banda, sem dar explicações, e até hoje se especula o real motivo (dizem que é porque ele era mais atraente que seus colegas de banda). E chamaram um baterista com um nariz consideravelmente grande, Ringo Starr.
Com Pete fora, e Ringo dentro, a banda foi tocar no Cavern Club. O que não foi uma boa ideia, já que a troca de Pete gerou revoltas entre os fãs da banda. Ringo até foi ameaçado de morte por ser judeu, um detalhe, ele não é judeu!
Brian Epstein conseguiu para a banda uma gravação com a Parlophone, e lançaram seu primeiro single, Love me Do, depois de muito serem recusados pela Decca Records, que dizia que grupos com guitarras estavam fora de moda. O single fez considerável sucesso na Inglaterra.
Em 1962 a banda lançaria seu primeiro álbum:
Please Please Me, com Love Me Do e outras 12 músicas. Na verdade o álbum se chamava Please Please Me. 8 composições próprias de Lennon/McCartney (na época creditado como McCartney/Lennon), e 6 covers, que incluíam músicas do repertório dos Beatles em Hamburgo e no Cavern. O álbum fez sucesso na Inglaterra, mas não o bastante para atingir o resto do mundo, mais especificamente os EUA. Como combinado pela banda, George e Ringo deveriam cantar uma música por álbum pelo menos, e foram Do You Want to Know a Secret e Boys respectivamente.
Até o ano de 1963 a banda seria A banda da Inglaterra.
Em 1963 também a banda lança seu segundo disco:
With the Beatles. Repare em como o Ringo, sempre o excluído da turma, é o único em baixo. Lançado em 1963, o álbum continha 7 composições da dupla Lennon/McCartney, e uma de Harrison, Don't Bother Me, primeira composição própria de Harrison lançada em um álbum dos Beatles. E também continha 5 covers, com destaque para Till There Was You e Roll Over Beethoven, que são melhores que as originais. Nesse álbum, George canta Don't Bother Me e Roll Over Beethoven, e Ringo canta I Wanna Be Your Man.
No ano seguinte, a banda iria abalar a América.
O single I Wanna Hold Your Hand, por alguma razão, mexeu com os americanos. Lançado em 1964, o single faria a banda ser chamada a fazer uma turnê na América, e a tocar no popular programa de televisão americano The Ed Sullivan Show.
Nesse ano a banda lançaria também seu álbum que marca o auge da Beatlemania:
A Hard Day's Night, álbum que também viria a ser acompanhado por um filme de mesmo nome, é o terceiro álbum da banda, e uma curiosidade sobre esse álbum, é que TODAS as composições, sem exceção, são da trupe Lennon/McCartney. Esse álbum, e o filme (que aqui no Brasil ficaram conhecidos como os Reis do Iê Iê Iê, talvez pelos infinitos Yeahs na música She Loves You), marcam o auge da Beatlemania,  no filme, vemos várias cenas da banda fugindo e se disfarçando para fugir de fãs alucinados. O que também acontecia na realidade.
Ainda em 64, a banda lançaria um dos seus álbuns de menor sucesso:
Beatles for Sale. Parece que a exaustão por causa das turnês ininterruptas, e a falta de criatividade, fez a banda voltar a antiga fórmula de músicas próprias e alguns covers. Com 8 composições próprias e 6 covers, com destaque para Words of Love, originalmente de Buddy Holly, que é melhor que a original.
A partir de 1965, a banda seguiria novos caminhos. 
HELP!, lançado em 65, conseguiu se diferenciar bastante de seus sucessores. O álbum não traz apenas composições próprias, mas também não é cheio de covers. Com 10 composições de Lennon/McCartney, e 2 de Harrison, um recorde até então para George, e dois covers, Act Naturally, cantada por Ringo, e Dizzy Miss Lizzy, gritada por Lennon. Uma curiosidade bem bacana, Lennon só incluiu Dizzy Miss Lizzy no disco, para o mesmo não acabar com a composição de Paul, Yesterday. Atitude Rock'n'Roll!!!
Ainda em 1965, a banda se elevaria a um novo nível....
Rubber Soul, pronto, os Beatles entraram de cabeça na emergente psicodelia vinda da América. Um álbum sem covers, com 12 Lennon/McCartneys e 2 de Harrison. A faixa Norwegian Wood seria a primeira música pop a incluir um cítara, tocada por George, grande fã da cultura indiana.
O álbum seria o primeiro a ter nome e capa iguais na Inglaterra e nos Estados Unidos, porém a seleção de músicas era levemente alterada de uma para a outra.
Em 1966, em uma entrevista, Lennon diria a seguinte frase: "Atualmente nós somos mais populares que Jesus Cristo (...) não sei o que desaparecerá primeiro, o cristianismo ou o rock'n'roll", o que gerou revoltas, queimas de discos, e proibição dos Beatles no Sul dos Estados Unidos.
Suas intenções eram boas... Fora isso eles também lançaram REVOLVER
1966 fora um ano bem conturbado para os Beatles, a entrevista de Lennon, a turnê maldita nas Filipinas, inúmeras ameaças de morte, que levaram a banda a parar de excursionar e dedicar-se 100% a gravação de álbuns. O que levara-os a gravar sua maior obra prima até então e seu melhor álbum, REVOLVER. O disco era simplesmente fantástico. Trazendo 11 composições de Lennon/McCartney, e 3 de Harrison, o álbum inovou em tamanhos aspectos na indústria da música, mais do que qualquer álbum até o momento. Trazendo um solo de guitarra ao contrário, em I'm Only Sleeping, música indiana em Love You To, solo de duas guitarras tocando simultaneamente em 
And Your Bird Can Sing, e Tomorrow Never Knows, que é assustadora e revolucionária ao mesmo tempo. Enquanto a letra da música não faz sentido algum, é sua estética que revoluciona. Sendo a primeira música a usar loops de bateria, guitarras distorcidas que se assemelham a sons de gaivotas. É praticamente um protótipo da futura música eletrônica.
No final de 1966 e começo de 1967, a banda gravaria sua segunda obra-prima: 
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band marca o auge da psicodelia no verão do amor, de 1967. Com 12 composições de Lennon/McCartney e 1 de Harrison, o álbum não inovou tanto quanto o anterior, mas não deixa de ser inovador, sendo o primeiro e único álbum-conceitual dos Beatles. Mesmo sendo as vezes creditado como o primeiro álbum conceitual da história, esta afirmação está errada, pois o primeiro foi Days of Future Passed, do Moody Blues, lançado no mesmo ano. O álbum conta com as duas primeiras faixas interligadas, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e With a Little Help From My Friends, cantada por Ringo. A terceira faixa, é a lisérgica Lucy in the Sky with Diamonds, que claramente fala sobre LSD. A animada quarta faixa, Getting Better, cantada por Paul, e a quinta Fixing a Hole, também cantada por Paul. A sexta, She's Leaving Home, foi baseada na notícia da fuga de casa de uma garota.
Being for the Benefit of Mr. Kite, de Lennon, composta inteiramente sobre um pôster francês do século XII que Lennon comprara.
Harrison repetira  a dose do ano anterior com outra música indiana, Within You Without You. Paul cantaria uma música sua composta quando era adolescente, When I'm Sixty-Four. Lovely Rita, também de Paul, falando sobre uma guarda de trânsito, chamada, obviamente, Rita. A insana Good Morning Good Morning de Lennon, baseada em um cereal matinal.
Uma reprise, da primeira música, com a banda se despedindo, e finalmente, A Day in the Life, que não é uma música de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, é A música.
 
                            Ainda em 1967, a banda lançaria um álbum estranhamente                                   bom e um filme para a televisão estranhamente ruim
                                                                     
Magical Mystery Tour, mas que bosta de filme, entretanto o álbum é excelente, com um destaque para I Am The Walrus, e All You Need Is Love, tocada num programa ao vivo para mais de 400 milhões de pessoas. O filme, no entanto, apesar de ser vergonhoso para uma banda como os Beatles, tem seus momentos de glória, como o clipe de I Am The Walrus e as piadas grotescas, como a cena de Lennon colocando cada vez mais macarrão no prato de uma mulher gorda, a cena, segundo ele, foi baseada num sonho que teve. E Brian Epstein morreu nesse mesmo ano quando a banda estava no País de Gales, de overdose, antes do lançamento do álbum.
Em 1968 a banda foi pra Índia.
Mais por influência de George, a banda foi à Índia, participar da meditação transcendental. A banda ficou um bom tempo por lá, e compôs material o suficiente para um álbum duplo. Os Beatles, um por um foram embora, Ringo foi o primeiro, por causa do nascimento de seu segundo filho, seguido pelos outros, John foi embora por saudade de Yoko, George foi o último a ir embora, desiludido com Maharishi, por suas investidas sexuais em Mia Farrow.
Depois de tanto material composto na Índia, a banda gravou o seu álbum-duplo-branco:
Esse álbum de capa extremamente criativa, chamado apenas de The Beatles, ou White Album, lançado em 1968, esse álbum marca o começo do fim, com Lennon cada vez mais distante de seus companheiros de banda para ficar com Yoko, e Starr saindo uma vez da banda e depois voltando. Por ocasião da saída de Ringo, McCartney teve que gravar a bateria em algumas músicas, com destaque para Back in the U.S.S.R. (mais tarde em uma entrevista, perguntaram à John o que ele achava de Ringo ser o melhor baterista do mundo, e ele respondeu: 'ele não era nem o melhor baterista dos Beatles'). O álbum conta com algumas músicas ótimas, como Blackbird e Back in the U.S.S.R. de Paul, o primeiro heavy-metal da história, com Helter Skelter,  a obra-prima de Harrison nesse disco, While My Guitar Gently Weeps, a homenagem de John à sua mãe em Julia e a versão blues de Revolution, Revolution #1. Mas entretanto, também saíram esquisitices nesse disco, como a voz horrorosa de Yoko em The Continuing Story of Bungalow Bill, e a excêntrica colagem de sons de Lennon, Revolution #9, que é provavelmente a coisa mais estranha que você vai ouvir na sua vida.
 
Fora isso o álbum é excelente. Ironicamente depois de Revolution #9 vem a última música do álbum, Good Night, como se alguém fosse conseguir dormir depois de ouvir isso.
Em 1968 os Beatles brincam de novo com o cinema e lançam seu desenho animado.
Mesmo que Yellow Submarine seja uma faixa do álbum de dois anos antes, Revolver, foi só em 1968 que foi lançado o longa-metragem animado para o cinema, e consequentemente, um álbum de trilha sonora. O filme retrata perfeitamente toda a psicodelia do final dos anos 60, e conta a história de um paraíso em baixo do mar chamado de Pepperland, onde ninguém é triste e sozinho, pois a banda do sargento pimenta está sempre tocando sua música para alegrar as pessoas. Porém, existe o grupo dos malvados azuis, que planejam transformar Pepperland em um lugar triste e sem música, por isso, os Beatles são convocados para trazer de volta a paz. Muitas músicas usadas no filme foram tirados de álbuns lançados muitos anos antes, como por exemplo, Nowhere Man (Rubber Soul), Lucy in the Sky With Diamonds (Sgt Pepper's) e a própria Yellow Submarine (Revolver). O lado B do álbum é composto de músicas instrumentais de George Martin para o filme.
A banda estava claramente próxima do fim, com John sempre brigando com Paul e George por causa de Yoko. Paul era o único que realmente queria continuar com a banda. 
Em 1969 a banda gravou dois álbuns, Let it Be, e Abbey Road, mas Abbey Road foi lançado antes mesmo sendo o último a ser gravado
Esse é o PENÚLTIMO álbum dos Beatles, mesmo sendo o último a ser lançado. Álbum sem grande destaque, com algumas músicas em especial, como Let it Be, The Long and Widing Road e Get Back.
Em 1969 a banda lançaria seu real último álbum, mesmo sendo o penúltimo a ser lançado.
O famoso álbum Abbey Road, o último adeus, o fim da linha. Contém músicas estranhas, como Sun King, obras primas de George, Here Comes the Sun e Something, o Medley no final começando em You Never Give Me Your Money e terminando em The End. The End não fecha apenas o álbum, mas a carreira dos Beatles, é a última música do Medley, a última música gravada pelos Beatles, e a única música que Ringo toca um solo de bateria. As últimas palavras dos Beatles foram, 'And in the end, the love you take, is equal to the love, you make', traduzindo: 'E no final, o amor que você recebe, é igual o amor que você faz'...
FIM